Desenvolvimento Urbano

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O deputado federal Fernando Torres em entrevista à revista Sacada

"Acho que a construção civil em Feira de Santana é um exemplo nacional", afirma o deputado federal Fernando Torres


19/08/2014 10:50
O deputado federal Fernando Torres em entrevista à revista Sacada Foto: reprodução

por Isis Moraes

Segunda maior cidade do estado da Bahia, Feira de Santana vem crescendo consideravelmente nas últimas décadas. A promissora expansão do setor imobiliário, no entanto, convive com problemas estruturais e sociais que afetam sobremaneira o cotidiano da população.

Em entrevista à revista Sacada, o deputado federal Fernando Dantas Torres, que também é empresário da construção civil, falou sobre o desenvolvimento urbano da cidade, sobre o mercado imobiliário e o projeto Minha Casa Minha Vida e apresentou propostas para a melhoria dos problemas relacionados à mobilidade urbana.
Fernando Torres também destacou os projetos de sua autoria para dois setores que enfrentam graves crises no Estado: a Segurança Pública e a Saúde. Confira!

Sacada – Em sua trajetória política, quais projetos de sua autoria beneficiaram Feira de Santana?

Fernando Torres – Quando fui presidente da Comissão de Direitos Humanos e Segurança Pública busquei fazer a diferença, implementando importantes mudanças. Consegui modificar a velha concepção de que quem lida com Direitos Humanos tem que ter raiva de polícia e tratar ativista diferente. Na minha gestão, todo mundo era tratado de forma igualitária. O ativista era ouvido da mesma forma que o policial era ouvido. Então, foi uma grande mudança. A Segurança Pública, na época, ia de mal a pior e nós debatemos o tema na Bahia inteira. Realizamos Audiências Públicas em várias cidades, a exemplo de Teixeira de Freitas, Jequié, Jacobina, Irecê e Feira de Santana, que é a minha terra, de modo que, dentro do possível, contribuí para melhorar. O que o governador Jaques Wagner encontrou no passado é muito diferente do que o que está aí hoje. Houve melhoras significativas. Feira de Santana, antes do governador Jaques Wagner, tinha apenas seis viaturas da Polícia Militar. Hoje, a cidade conta com mais de 70 viaturas. Então, nosso trabalho também contribuiu para que a Segurança Pública melhorasse. Claro que ainda não alcançamos o ideal. É preciso melhorar muito ainda. Atualmente, a violência faz, pelo menos, uma vítima por dia em Feira de Santana. Todavia, isso não é apenas um problema de Segurança Pública. Creio que falta nas pessoas uma maior religiosidade. As pessoas estão esquecendo que Deus existe. Mas, em termos de investimentos feitos pelo Estado, houve, sim, uma inegável ampliação.

S. – Outro grave problema enfrentado hoje no estado é a precariedade do sistema público de saúde. O que tem sido feito para melhorar o setor?

F.T. – Estou vindo agora do Hospital Geral Clériston Andrade e a situação é realmente caótica. A saúde na Bahia é realmente ruim, mas todos nós sabemos que isso vem do passado. O atual governador encontrou um quadro muito precário e realizou o possível para melhorar isso. Foram construídos cinco novos hospitais, mas ainda é preciso fazer muito.

S. – Aproveitando que estamos falando sobre Segurança Pública e Saúde, algum de seus projetos em tramitação na Câmara Federal contempla esses setores?

F.T. – Em relação à Segurança Pública, é de minha autoria o projeto que prevê a implantação de detectores de metais nos ônibus. Mas isso, por si só, não resolve. O que resolve é o governo investir forte e as pessoas buscarem um maior sentimento de irmandade, deixando de acreditar que matar o seu semelhante resolve o problema. Então, a Segurança Pública vai melhorar quando as pessoas passarem a acreditar que existe um Deus maior e que não se pode matar por causa de uma simples briga de rua. É isso que está fazendo com que a Segurança Pública vire o caos que está. No campo da saúde, tenho um projeto importantíssimo tramitando na Câmara Federal: a PEC do SAMU. Essa Proposta de Emenda à Constituição tem por objetivo efetivar todos os funcionários do SAMU no país inteiro, como foi feito com os agentes de saúde. Acho um absurdo a constante troca de profissionais já treinados toda vez que um novo prefeito é eleito. O governo e a população perdem bastante com isso, além de o funcionário também ficar desempregado, que é o pior. Esse é o projeto mais importante do meu mandato.

S. – Que avaliação o senhor faz dos cenários político, social e econômico da Bahia e de Feira de Santana?

F.T. – Economicamente, Feira de Santana, Bahia e Brasil têm um cenário só. Eu acho que o país está no rumo certo. É óbvio que é preciso melhorar bastante. E isso implica em acabar com a corrupção ou, pelo menos, diminuí-la em todos os setores, não apenas no campo político. É preciso também que as pessoas entendam que não é só a mera troca de presidente que vai fazer o país melhorar. É necessário que cada um faça a sua parte. Eu vejo que o país está trilhando um bom caminho. No passado, o Brasil tinha 14% de desempregados. Atualmente, os desempregados representam apenas 5%. O programa Minha Casa Minha Vida deu à população carente 3 milhões de casas. O Bolsa Família tirou da extrema pobreza milhões de pessoas. Então, para mim, o que vem sendo feito está correto. O Brasil é um país preocupado com o social. Diminuindo a corrupção e melhorando alguns outros setores, nosso país vai se tornar uma das cinco maiores potências do mundo. E isso será bom para todos. O salário vai aumentar e todos vão ganhar melhor.

S. – Como empresário da construção civil, como o senhor avalia o crescimento e o desenvolvimento de Feira de Santana?

F.T. – Muito bom. O programa Minha Casa Minha Vida está ajudando bastante. Em Feira de Santana, se não me engano, são mais de 30 mil casas. A construção civil vai muito bem. Os terrenos estão muito valorizados.
Só para se ter uma ideia, terrenos ao redor de Feira estão sendo comercializados a peso de ouro. O valor aumentou mais de dez vezes. Acho que a construção civil em Feira de Santana é um exemplo nacional. O presidente da Caixa Econômica, Jorge Fontes Hereda, veio aqui recentemente e disse que a cidade é um dos lugares onde mais se construiu no Brasil. Acho que isso se deu também em função da topografia, já que Feira é uma cidade plana e isso favorece a construção. Por sua vez, os construtores que aqui estão investem muito. Então, o setor está de parabéns. Espero que continue da mesma forma nos próximos dez anos.

S. – Na sua concepção, o que ainda precisa ser feito para que Feira de Santana venha a se tornar um polo imobiliário?

F.T. – Feira já é um polo imobiliário. Acho que não tem como melhorar mais. Se você comparar o desenvolvimento econômico do país com o crescimento imobiliário de Feira, o crescimento imobiliário de Feira está bem maior, então Feira está muito bem.

S. – Então, para o senhor, esse crescimento não é apenas momentâneo?

F.T. – Acho que o crescimento é contínuo. A tendência, nos próximos dez anos, é a cidade dobrar de tamanho.

S. – Em relação ao desenvolvimento urbano, Feira tem sérios problemas de mobilidade. Como o senhor vê o fato de, até o presente momento, o município não ter um Plano Diretor?

F.T. – O Plano Diretor de Feira não estar pronto é um absurdo, uma vergonha. Na gestão municipal anterior, foi elaborado um projeto de mais de 90 milhões, denominado BRT (Bus Rapid Transit), que visa investimentos na cidade inteira. Tenho certeza que esse projeto vai ser aprovado o mais rápido possível e que vai melhorar muito a mobilidade urbana em Feira de Santana.

S. – Mas, na sua opinião, o que precisa ser feito de imediato para ordenar o centro urbano de Feira de Santana, que atualmente é caótico?

F.T. – A aprovação do BRT, porque a disponibilização dessa verba permitirá novos investimentos, a exemplo da construção de vias exclusivas para ônibus e uma reestruturação do centro da cidade.

S. – A construção de uma rede ferroviária em Feira vai mesmo sair do papel?

F.T. – O governo federal está investindo bastante em ferrovias. Tenho certeza que será construída. E, assim que estiver pronta, será um polo logístico para a cidade. A topografia de Feira permite a construção e a consolidação de uma ferrovia, que virá de outras cidades do Nordeste e passará por aqui.

S. – Que futuro o senhor vislumbra para Feira de Santana?

F.T. – Feira é uma cidade comercial. Não tem como o governo deixar de investir no comércio local. Além disso, também é uma cidade industrial, o que favorece ainda mais o seu crescimento. Várias indústrias se instalaram aqui. O município tem um potencial bastante grande e tem uma certa vantagem em relação a outras cidades. Comparando a topografia de Feira de Santana com a de Salvador, por exemplo, constatamos que Feira tem como crescer muito ainda. Então, a tendência é a cidade se tornar realmente grande, atraente para as grandes indústrias e lojas.
 

 

Matéria publicada na versão impressa da revista Sacada.

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