Feira de Santana: A “capital” do empreendedorismo e a força do Mercado Imobiliário

Situado no interior do Nordeste, o município se destaca como um polo de oportunidades, com economia diversificada e referência no Brasil

Maior do que oito capitais brasileiras em população, Feira de Santana consolidou-se, ao longo de quase dois séculos, como uma das cidades mais dinâmicas do interior do país. Com economia diversificada e forte vocação para os negócios, o município construiu um ambiente fértil para o empreendedorismo, capaz de sustentar o crescimento contínuo mesmo em cenários nacionais adversos. Para além do volume demográfico de 660.806 habitantes, segundo estimativa do IBGE, em julho de 2025, a Princesa do Sertão possui uma cultura econômica própria, moldada pela iniciativa privada, pela circulação intensa de renda e por um espírito empreendedor que atravessa gerações.

A cidade, que completou 192 anos, é situada em um dos maiores entroncamentos rodoviários do Brasil, conectando importantes regiões do Norte, Nordeste, Sudeste e Centro Oeste. Feira exerce influência direta sobre dezenas de municípios do entorno. E atrai, diariamente, um expressivo contingente populacional, impulsionado por seu ambiente de negócios.

Essa leitura é compartilhada por quem acompanha o comportamento econômico local de perto. Para Marco Silva, presidente do Sindicato do Comércio de Feira de Santana (SICOMÉRCIO), o desempenho da cidade é resultado de uma trajetória consistente. “Feira vem desempenhando acima da média da Bahia, do Nordeste e do Brasil. Isso não é algo recente, já acontece há mais de uma década. A cidade está fora da curva positivamente”. 

Segundo ele, dois fatores explicam esse protagonismo. O primeiro é geográfico. “Feira está no centro do Nordeste, é a porta de entrada de Salvador. Seu futuro está diretamente ligado à logística, à sua posição”, diz. O segundo é humano. “O povo de Feira é aberto para quem chega. A gente recebe o migrante de braços abertos, sem nenhum tipo de restrição para quem vem morar ou investir aqui”, avalia o dirigente.

Ao longo dos anos, esse ambiente impulsionou a diversificação econômica. A cidade que é referência em comércio e serviços, tornou-se um polo de saúde e educação, além do seu destaque no segmento industrial e logístico. Tudo isso faz de Feira uma cidade resiliente. “É uma economia muito mais ampla e diversificada. Isso faz com que seja uma das cidades que demoram mais a entrar em crise e uma das primeiras a sair”, observa Marco.

Mesmo sendo uma cidade do interior, esse conjunto de fatores sustenta o título que o município vem assumindo na prática: a capital do empreendedorismo. Não apenas pelo número de empresas ativas ou pela quantidade de investimentos em curso, mas pela mentalidade de quem vive, trabalha e constrói negócios em Feira de Santana.

Do empreendedorismo ao mercado imobiliário: uma cidade que se constrói todos os dias

A força do mercado imobiliário de Feira de Santana está diretamente conectada à solidez dessa economia empreendedora, que promove uma intensa circulação de pessoas. Esse fluxo amplia a demanda por moradia e por espaços comerciais, refletindo diretamente no desempenho do mercado imobiliário local.

Na avaliação de Ricardo Messias, arquiteto e gerente da filial de Habitação da Caixa Econômica Federal, esse desempenho coloca o município em uma posição de destaque no Nordeste. “Feira de Santana é uma cidade incrível porque cresce sempre e o mercado imobiliário acompanha isso muito de perto. Hoje, Feira está entre as três cidades que mais produzem habitação no Nordeste do Brasil, superando a maioria das capitais, com exceção de Salvador e João Pessoa”, pontua.

O volume de produção reflete uma demanda consistente. “Hoje, Feira de Santana tem cerca de doze mil unidades habitacionais em produção [dados de novembro], a maior parte já vendida na planta, o que é uma característica muito forte do mercado local”, completa. 

O município já foi líder nacional no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) e ainda hoje é um caso que desperta atenção. “A cidade continua sendo referência no Brasil inteiro na produção e venda de unidades habitacionais. É um caso que o pessoal não consegue explicar a nível nacional”, afirma Messias.

Esse desempenho está diretamente ligado a uma outra característica marcante: a influência regional exercida pela cidade. Feira consolidou-se como centro de consumo, serviços e oportunidades para dezenas de municípios do entorno, atraindo moradores e investidores de um amplo raio geográfico, como analisam José Tadeu Filho e Walter Neto, empresários da Atual Imobiliária. “Feira de Santana é a capital do interior. Em um raio de até 400 quilômetros, a cidade exerce forte influência econômica e comercial”, analisam.

Essa influência se traduz em movimento imobiliário contínuo. “Existe uma demanda muito significativa de pessoas do interior comprando e alugando imóveis em Feira. São famílias que vêm estudar, trabalhar ou expandir seus negócios aqui”.

Sua consolidação como polo de saúde e educação amplia ainda mais esse fluxo. Para Tadeu e Walter, a chegada de grandes redes hospitalares, como a Rede D’Or e a Mater Dei, bem como o fortalecimento do ensino superior feirense, sobretudo com a abertura de novos cursos de Medicina, reforçam a permanência dessas pessoas na cidade. “São mais profissionais vindo para cá para se instalar, mais médicos comprando e alugando apartamentos, e você sente o setor se expandir”, consideram.

Mesmo em cenários de instabilidade nacional, o mercado local demonstra resiliência e continua performando bem em vendas. “Feira tem dois vetores muito claros de crescimento: a região do SIM e a região do Papagaio. É onde a expansão imobiliária acontece hoje”.

Na leitura dos sócios, esse comportamento está associado à diversidade econômica da cidade e à capacidade de absorção do crescimento de forma equilibrada. Para eles, Feira de Santana apresenta um consumo interno forte e uma composição de renda pulverizada, fatores que reduzem a dependência de ciclos específicos e sustentam a atividade imobiliária.

Essa percepção é reforçada por quem atua diretamente na incorporação. Para Osvaldo Ottan, referência no mercado imobiliário, o município tem uma vocação própria, independente de estímulos pontuais. “Feira de Santana cresce independentemente da iniciativa pública. É uma cidade vocacionada para crescer”, destaca o empresário da Belvedere Construtora, Mirante Imobiliária e TIC Bahia. Nas palavras de Ottan, é preciso projetá-la para 50 anos. “Aí ninguém segura essa cidade”, aponta.

De acordo com Samuel Paiva, da Coordena Assessoria Imobiliária, o mercado reflete a economia real. “Feira é uma cidade que tem muitos atrativos e oportunidades. Existe crescimento, circulação de dinheiro e isso torna o mercado imobiliário muito pujante”. Por isso, segundo ele, a cidade atrai investidores de várias regiões. “Temos compradores até de outros países”, afirma o coordenador. 

Ele revela que o comportamento do comprador regional também mudou. “O que antes acontecia com Salvador está acontecendo agora em Feira. Pessoas das cidades circunvizinhas querem ter um imóvel aqui”, ressalta Paiva. 

Quem atua no fornecimento de produtos para empreendimentos premium também percebe essa mudança. Para Ary Cleriston, gestor comercial da Ogunjá e especialista em pisos e revestimentos de alto padrão, o mercado local ainda está longe do ápice. “Se você olhar para Feira de Santana, é um canteiro de obras; para onde você vai, está nascendo uma nova construção. Isso aí é um indicativo de que economicamente a cidade está bem, porque as construtoras estão apostando em muitos empreendimentos novos, inclusive de alto padrão”. Ary enxerga um grande potencial de crescimento para o setor de Arq & Decor. “Estamos apenas engatinhando”.

Na visão dele, a demanda regional passou a enxergar o município como referência. “Hoje, muita gente prefere vir para Feira do que ir a Salvador. A cidade não fica devendo em nada em termos de fornecedores de qualquer segmento”, explica.  

O setor vem acompanhando a evolução do comportamento do consumidor, incorporando novos padrões construtivos, produtos mais qualificados e projetos alinhados às demandas contemporâneas de localização, conforto, mobilidade e potencial de valorização. Feira deixou de ser apenas um polo regional para assumir o protagonismo e uma posição estratégica no mapa imobiliário da Bahia.

Para Ana Cristina Monteiro, arquiteta responsável por grandes empreendimentos como os condomínios Obelisk e IL Campanário, já entregues, e edifícios como o Boulevard Residence e Washington Tower, ambos em construção, esse crescimento exige um equilíbrio entre expansão e aproveitamento da infraestrutura existente. Com um mix entre projetos verticais e horizontais. “A cidade não pode enxergar apenas a horizontalidade como solução. Feira comporta prédios residenciais e empresariais, e a verticalização é um caminho urbano inteligente”, argumenta.

Conforme a profissional, a arquitetura também exerce papel simbólico na construção da identidade urbana. “Quando a arquitetura é inovadora, ela eleva o potencial visual da cidade e cria marcos urbanos positivos. Os prédios bem planejados e bem executados tornam-se pontos de encontro”. Ela explica que não é só o conceito arquitetônico que impõe essa influência. “Faz parte de um contexto. O paisagismo, o urbanismo, a iluminação, tudo isso compõe o prédio”, ressalta a arquiteta que também projetou o edifício residencial Palácio de Buckingham, um ícone da cidade.

Para ela, Feira é uma cidade potente, em ebulição constante. “Quem constrói a cidade são os empresários, os construtores e os investidores locais. Quando eles sobem o nível, a cidade inteira ganha”.  

O mercado segue acompanhando essa dinâmica, com empreendimentos como Fibonacci, Ícone Connect Residence, Boulevard Residence, Nexus Empresarial e Washington Tower entre outros que ampliam o nível dos projetos oferecidos. 

A cidade avança com visões ousadas, transformando ideias em novos marcos urbanos e reafirmando que Feira de Santana é construída por quem acredita e realiza. Olhando para o futuro, o setor imobiliário continua sendo impulsionado por planos que já nascem com bases concretas. 

É assim para Osvaldo Ottan, incorporador do complexo multiuso Charmant Hotel Business, com 31 pavimentos e 137 metros, o maior edifício comercial da cidade. Ele também construiu o Saint Remy, prédio com 32 pavimentos e 121 metros, o residencial mais alto de Feira de Santana. 

Para ele, os sonhos não costumam ficar apenas no imaginário, mas ganham forma, altura e endereço. “Meu desejo é construir um prédio de 42 andares em Feira de Santana. Já sei até o local. Pode parecer ousado, mas tudo que coloco na cabeça, eu realizo”.

Ottan é um exemplo da força do empreendedorismo e suas realizações comprovam isso. “Vamos lançar um condomínio de lotes com uma praia artificial, com piscina de ondas. A ideia é provar que Feira de Santana também pode ter praia”, projeta.

Carioca de origem, Osvaldo Ottan estabeleceu-se em Feira, passou pelo comércio com a extinta Ottan Center Magazine e, hoje, deixa o seu legado com os arranha-céus da cidade. Uma trajetória que demonstra como Feira impulsiona e abraça quem trabalha e investe na capital do empreendedorismo.

DADOS CRECI-BA FEIRA DE SANTANA

NÚMERO DE CORRETORES NA CIDADE 2.003 ATIVOS

1.149 X 854 

HOMENS X MULHERES

287 IMOBILIÁRIAS ATIVAS

*dados fornecidos pelo CRECI – BA (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), dados obtidos em dezembro 2025)

CONSTRUÇÃO DA SEDE PRÓPRIA EM FEIRA DE SANTANA

Foto: Divulgação Creci – BA

A sede própria da regional do CRECI será construída na Rua Dr. Elpídio Nova, próxima ao Centro de Convenções e ao Shopping Boulevard. O projeto arquitetônico é de Milla Oliveira, e o design de interiores, de Vera Brito.

DADOS CRECI – BA FEIRA DE SANTANA (modelo na edição anteriores, mas pode ser bem menor e dessa vez 

Feira por quem entende de Feira

“(…) Feira de Santana é, indiscutivelmente, o nó logístico mais crucial do Nordeste brasileiro. Para qualquer empresa com ambição nacional, estar em Feira significa otimizar custos de frete, reduzir prazos de entrega e acessar um mercado consumidor regional gigantesco. Esta vantagem geográfica é o alicerce sobre o qual todos os outros setores se ergueram.”
JOSEMIR CARVALHO, contador, empresário da Joca Contabilidade e diretor da ACEFS 

“Feira de Santana me impressiona cada dia mais. O potencial de Feira é gigantesco em todas as áreas, e fico muito feliz em ver minha cidade movimentada, com pessoas e empresários acreditando. Há muita gente nova chegando, inclusive participantes dos meus eventos que vêm de outras cidades e estados, apostando em Feira.”
LILIA CAMPOS, jornalista e assessora de Comunicação & Eventos Corporativos

“A combinação de localização estratégica, diversidade econômica, capacidade inovadora e capital humano coloca o município em uma trajetória promissora, rumo a um futuro em que se consolida não apenas como um polo regional, mas como uma verdadeira potência no cenário baiano e nacional.”

NATHALIA OLIVEIRA, economista, mestra em Planejamento Territorial e diretora superintendente do Instituto Pensar Feira

“Dizem que Feira de Santana é um “país” dentro do Brasil. Somos mesmo diferenciados. Afinal, somos feitos de gente que nasceu aqui e de gente que passou, voltou e ficou por aqui. Quando a gente entende isso, entende também como construir as estratégias de comunicação para as empresas. É necessário levar em conta as diversidades e singularidades da cidade. (…) Somos únicos nessa cidade que é potência. Somos de Feira e temos muito orgulho disso!”
SORAYA MACEDO, publicitária e empresária da agência Formato

Trem Intercidades ligará Salvador a Feira de Santana

Um projeto estratégico de mobilidade e logística para a Bahia. O Trem Intercidades TIC Bahia transportará passageiros e cargas em apenas 35 minutos, integrando transporte urbano e regional. Com investimento previsto de R$ 6,8 bilhões, a iniciativa inclui a construção de infraestrutura moderna, estações e sistemas de operação avançados. Capitaneado pelo empresário Osvaldo Ottan e pelo engenheiro Danilo Ferreira, o projeto deve impulsionar o desenvolvimento econômico regional. Mais do que uma obra de transporte, ele simboliza uma Bahia conectada, eficiente e preparada para novos desafios, elevando ainda mais Feira de Santana no cenário nacional.

Polo supermercadista do Nordeste

Feira de Santana se consolidou como um dos maiores polos supermercadistas do interior do país, desempenhando papel estratégico no abastecimento regional. A cidade funciona como um centro de distribuição, suprindo dezenas de municípios vizinhos que consomem e se abastecem nela diariamente, além de atender à demanda da própria cidade. Essa força logística a fez conquistar, nos últimos anos, grandes redes nacionais, como Assaí Atacadista, Atakarejo, Atacadão, Economark, Grupo Mateus e Rede Mineirão. E também reforçou o capital regional com o Grupo São Roque, além de abrigar outras redes de médio e grande porte, como o Hiperideal. Esse conjunto de empreendimentos, muitos deles com várias lojas na cidade, confirma Feira de Santana como um hub de consumo, distribuição e logística, com influência direta sobre a região e papel essencial na economia baiana.

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