A partir de 24 de janeiro, São Paulo recebe uma homenagem grandiosa e profundamente cultural, no mês em que celebra mais um aniversário. A cidade ganha a quinta edição do Ciclo de Exposições São Paulo 472 anos, São Paulo 2026, “Se essa rua fosse nossa…”, sob curadoria de Vera Simões. A fachada do Conjunto Nacional, no coração pulsante da Avenida Paulista, se transforma em um espaço de arte monumental, celebrando São Paulo pelo olhar de onze artistas visuais que convidam o público a uma reflexão poética sobre o cotidiano paulistano.
Participam do ciclo este ano Dulce Julianelli, Gaby Alves, Gaby Faltay, Leila Lagonegro, Malu Mesquita, Mariana Naves, Máximo Hernández, Pedro Greene, Rose Rossetti, Silvana LaCreta Ravena e Zina Kossoy. Cada artista escolheu uma rua da cidade, criando uma cartografia sensível que percorre bairros, histórias e tempos distintos. A seleção de cada obra revela a profundidade das relações e das vivências que moldam a identidade paulistana. Da infância às avenidas icônicas, das lembranças íntimas aos cenários compartilhados, as obras formam um mapa visual que não só toca quem vive a cidade, mas também quem a visita, traduzindo o espírito inquieto e plural da metrópole.
À frente da curadoria do ciclo, Vera Simões, curadora e proprietária da Galeria VerArte, é uma figura fundamental na democratização da arte contemporânea no Brasil. Com mais de duas décadas de atuação, construiu uma trajetória marcada pelo compromisso de levar a arte para além das galerias tradicionais, ocupando espaços públicos de grande visibilidade, como o Conjunto Nacional. Autora de quatro livros e defensora da acessibilidade cultural, Vera reforça, nesta edição, a potência da arte como experiência cultural e cotidiana.
Esta iniciativa reafirma o espaço público como território de convivência e expressão cultural. A exposição oferece uma experiência estética em grande escala por meio de doze banners de sete metros de altura por quatro metros de largura, acompanhados de treze totens no térreo, que apresentam novas formas de perceber a cidade. Assim, a arte se aproxima do cotidiano das milhares de pessoas que circulam pela Avenida Paulista, criando impacto visual e convidando o público a um diálogo com a cidade.
Em paralelo, a Galeria VerArte lança a terceira edição do livro São Paulo 472, São Paulo 2026, “Se essa rua fosse nossa…”, na Livraria Paisagem, localizada no Cidade Matarazzo, em Bela Vista. A publicação reúne as obras dos artistas, além de textos e reflexões que exploram as múltiplas camadas culturais, sociais e urbanas da capital paulista, oferecendo ao leitor uma experiência sensível da cidade.
A comemoração também se estende à Galeria VerArte, na histórica Rua Barão de Tatuí, onde as obras físicas dos onze artistas poderão ser vistas de 17 de janeiro a 3 de março, ampliando o diálogo entre público e artistas e permitindo uma imersão mais profunda nas diferentes visões da cidade.
O ciclo de exposições acontece de 24 de janeiro a 25 de fevereiro de 2026, convidando todos a redescobrir São Paulo por novos olhares e sentidos.
Curadora:
Vera Simões é uma figura renomada no mundo das artes, conhecida por sua paixão em democratizar a cultura e promover a arte contemporânea. Como curadora, marchand e proprietária da Galeria VerArte, tem trabalhado incansavelmente para tornar a arte acessível a todos.
Com mais de duas décadas de experiência, Vera Simões é autora de quatro livros influentes e tem sido uma pioneira em levar a arte para fora dos espaços tradicionais, como galerias e museus, optando por expor obras em locais de grande visibilidade e acessibilidade.
Seu compromisso com a acessibilidade cultural é evidente em suas exposições em metrôs de São Paulo e Rio de Janeiro, bem como em outros espaços de grande prestígio. Vera Simões é uma defensora incansável da inclusão da arte em espaços públicos, homenageando os diversos bairros da cidade de São Paulo.
Artistas:
Dulce Julianelli – Rua Rio Grande (Vila Mariana)
A artista plástica Dulce Julianelli revisita a Rua Rio Grande, onde viveu infância e juventude na Vila Mariana das décadas de 1950 e 1960. Ali, entre vizinhos próximos, pequenos comércios e o cotidiano do bairro, formou suas primeiras memórias e se graduou como professora no Colégio Cristo Rei. Sua obra nasce desse território afetivo, marcado por lembranças que permanecem vivas na casa onde cresceu e no bairro que ainda guarda sua história.
Gaby Alves – Rua 7 de Abril (República)
A artista visual Gaby Alves encontrou na Avenida 7 de Abril um ponto de convergência entre memória e criação. A via, que já abrigou lojas tradicionais de fotografia e marcou momentos importantes do MASP, conecta-se também ao dia de seu nascimento, reforçando sua escolha. Para a artista, o local simboliza o encontro entre história pessoal e coletiva, inspirando uma nova etapa de investigação em sua obra: o autorretrato.
Gaby Faltay – Rua João do Rio (Pinheiros)
A artista plástica Gaby Faltay homenageia a Rua João do Rio, cenário essencial de sua infância em Pinheiros. Com seus paralelepípedos preservados e atmosfera de tempo suspenso, a rua acompanha sua trajetória sensível ao longo de mais de quatro décadas de produção artística. Sua obra para a exposição reúne fragmentos desse percurso, criando um mosaico afetivo que convida a perceber a cidade com mais delicadeza e memória.
Leila Lagonegro – Rua Dr. Cesário Mota Júnior (Consolação/Santa Cecília)
Para a artista plástica Leila Lagonegro, a Rua Dr. Cesário Mota Júnior simboliza o início de sua formação na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo, onde integrou a primeira turma de Medicina em 1962. Entre salas improvisadas, enfermarias e jardins, viveu seis anos intensos no bairro de Santa Cecília. Suas obras recuperam essas vivências fundadoras, que marcaram sua trajetória pessoal e profissional.
Malu Mesquita – Rua São Nicásio (Mooca)
A artista visual Malu Mesquita parte da Rua São Nicásio, na Mooca, para investigar a beleza presente em cenários urbanos em constante transformação. Ao longo dos anos, seu olhar sensível passou a enxergar poesia e arte em móveis abandonados, entulhos e objetos descartados, que para a artista carregam histórias e fragmentos de vida. Esse projeto, inicialmente desenvolvido no Instagram, ganhou novos desdobramentos ao se transformar em livro e integrar exposições, consolidando-se agora como um gesto de afeto e pertencimento ao ser apresentado para São Paulo, na Avenida Paulista.
Mariana Naves – Avenida Liberdade (Liberdade)
A artista plástica Mariana Naves revisita a Avenida Liberdade para dar voz às mulheres que marcaram o território muito antes de sua associação à cultura oriental. Em sua pesquisa, resgata narrativas apagadas e transforma memória em cor e presença. A obra central, em tons de verde, simboliza cura e renascimento, sugerindo passos femininos que permanecem, silenciosos ou celebrados, construindo a identidade do bairro.
Máximo Hernández – Avenida 9 de Julho (Bela Vista)
O fotógrafo Máximo Hernández escolheu a Avenida 9 de Julho por reunir história pessoal e simbolismo urbano. Entre lembranças da infância na Avenida Álvaro Ramos e os anos de estudante na Rangel Pestana, encontrou nessa via um ícone paulistano marcado pelo MASP, pelo túnel homônimo e pela mistura entre arquitetura moderna e antiga. Seus registros buscam preservar o presente dessa avenida emblemática, onde memória e cidade se entrelaçam.
Pedro Greene – Rua Estados Unidos (Jardins)
O fotógrafo Pedro Rivellino Greene, nascido em São Paulo e criado entre diferentes países, descobriu na câmera seu modo de expressão ainda na adolescência, durante os anos vividos na Flórida. Hoje, como diretor de fotografia e vídeo, une projetos autorais e colaborações, como com a Wise Basketball. Para a exposição, escolhe uma cena de basquete como metáfora do ritmo de São Paulo, uma cidade que improvisa, pulsa e se transforma, moldando seu olhar desde a infância.
Rose Rossetti – Avenida Dra. Ruth Cardoso (Pinheiros)
A artista plástica Rose Rossetti parte da Avenida Dra. Ruth Cardoso, cenário de seu cotidiano, para homenagear São Paulo. Entre o verde do Parque Villa-Lobos, o fluxo da Marginal Pinheiros e o movimento de trens, bicicletas e carros, encontra a paisagem que inspira sua obra Reflexos do Caminho. Com tons de azul e composições fragmentadas, explora fluidez, luz e memória, propondo um olhar sensível e contemplativo sobre a cidade.
Silvana LaCreta Ravena – Avenida Pedroso de Morais (Pinheiros)

A artista plástica Silvana LaCreta Ravena escolhe a Avenida Pedroso de Morais como um território de memória e afeto, presente em diferentes fases de sua vida. Embora nunca tenha morado ali, a via se tornou um espaço familiar, marcado por deslocamentos cotidianos e lembranças que moldaram sua trajetória. Em seu ensaio, o verde das árvores surge como elemento sensorial central, transformando paisagem em experiência afetiva. Ao revisitar a avenida hoje, a artista reflete sobre a perda desse elemento natural e propõe, por meio da arte, um gesto simbólico de cuidado, memória e desejo de reflorestamento da cidade.
Zina Kossoy – Avenida Higienópolis (Higienópolis)
A artista plástica Zina Kossoy escolhe a Avenida Higienópolis por sua relevância histórica e cultural. Arborizada e marcada por casarões e edifícios emblemáticos, abriga instituições como a Casa Dona Veridiana, o Instituto Italiano de Cultura, a Cultura Inglesa, o Colégio Sion, o Shopping Higienópolis e o Colégio Rio Branco. Para a artista, a avenida sintetiza a identidade do bairro, um território onde arquitetura, memória e tradição paulistana se encontram.












