Projeto em Curitiba une minimalismo sensorial e soluções precisas para um morar temporário

Assinado pela arquiteta Diane Justus, este apartamento de 85 m² em Curitiba nasceu a partir da chegada de um jovem casal de médicos, vindo de Palmas, no Tocantins, para viver na capital paranaense durante os quatro anos de residência no Hospital de Clínicas. A mudança, mais do que geográfica, representou a necessidade de traduzir uma forma de viver já consolidada em um novo tempo e em uma nova escala, preservando hábitos, afetos e a sensação de pertencimento.

A rotina do casal é compartilhada com dois companheiros de personalidade marcante. Romeu, um golden retriever de pelagem baunilha, gentil e educado, e Louis, um pequeno yorkshire que cabe na palma da mão e transforma os espaços em cenários de pausa, silêncio e descanso ao longo do dia. A conexão com o escritório surgiu a partir de uma identificação profunda com a linguagem arquitetônica apresentada no perfil do Instagram, que se transformou em afinidade criativa e confiança ao longo do processo.

O ponto de partida do projeto foi o desafio de traduzir, em um apartamento de 85 m², hábitos que nasceram em uma casa de 800 m², como receber amigos e viver o conforto do cotidiano. A proposta envolveu a organização estratégica dos espaços para acolher a rotina da família, ao mesmo tempo em que orientava investimentos precisos e coerentes com o caráter temporário da estadia em Curitiba. Mais do que reduzir a escala, o projeto buscou preservar a experiência de convivência, acolhimento e pertencimento que definia a forma de viver dos moradores.

Como fio condutor, o projeto adota o mimetismo visual e a presença marcante da pedra, compondo uma atmosfera contínua, sensorial e atemporal, capaz de transformar um endereço provisório em um verdadeiro lar. A personalização foi desenvolvida após a entrega das chaves, com intervenções diretas na configuração original do imóvel. A proposta incluiu a redefinição de paredes e a subtração de um dos dormitórios para a ampliação da suíte principal, reforçando a ideia de conforto e refúgio no setor íntimo.

Na área social, a remoção de uma esquadria permitiu a integração do living à sacada, ampliando a percepção de espaço e a entrada de luz natural. O resultado é uma área de convivência mais fluida e conectada à paisagem urbana. Com um estilo minimalista e sensorial, o espaço busca o silêncio visual e convida ao toque, à permanência e ao desacelerar.

A iluminação foi concebida como parte integrante da arquitetura e não como um elemento aplicado posteriormente. Ela acompanha as linhas orgânicas do projeto, valoriza as superfícies em pedra e constrói diferentes cenários ao longo do dia e da noite. A composição combina luz indireta e pontos de destaque para revelar volumes, texturas e a relação entre cheios e vazios. Na suíte, a tela tensionada no teto sobre o boudoir atua como um plano de luz contínuo e suave, filtrando a iluminação e criando uma atmosfera homogênea, sem ofuscamento.

A iluminação funcional aparece de forma pontual, seguindo as linhas orgânicas dos spots de modelo no frame e invisível, com temperatura de cor quente para preservar a leitura sensorial dos ambientes. Nos acabamentos elétricos, a personalização chegou aos mínimos detalhes. Toda a linha foi substituída por peças em inox escovado da Tés, transformando interruptores e tomadas em elementos de design que dialogam com a materialidade e o caráter refinado dos ambientes.

Nos pontos em que a funcionalidade se tornou protagonista, foram especificadas superfícies italianas Atlas Plan, aplicadas na bancada da cozinha e na mesa de jantar, unindo desempenho técnico e sofisticação estética. O piso foi definido de maneira especialmente criteriosa, atendendo às necessidades de segurança de Romeu, que possui displasia coxofemoral, e buscando a maior proximidade possível com uma leitura monolítica, reforçando a continuidade visual e a sensação de unidade no espaço. Em tons neutros, as paredes recebem a textura da Usecor, que convida ao toque e se alinha ao visual mimetizado da arquitetura, ampliando a sensação de pertencimento entre materiais e atmosfera.

Para viabilizar a nova organização dos ambientes, foi necessária uma intervenção significativa na estrutura hidráulica. O projeto incluiu a criação de um boudoir integrado à suíte do casal e a ampliação do banheiro, que avançou até o pavimento inferior para o reposicionamento do eixo do vaso sanitário e da saída de esgoto. Essa solução garantiu a viabilidade técnica das novas proporções e fluxos. Todas as louças foram renovadas, com a adoção de vasos sanitários de desenho leve e linhas elegantes da Kohler, além de lavatórios suspensos Vallvé, que reforçam a estética sensorial e contemporânea do projeto.

Entre os objetos que merecem destaque estão fragmentos de viagens que se transformaram em peças de memória e identidade no projeto, como esculturas em pó de mármore inspiradas na Vênus de Milo e na Vitória da Samotrácia. A ambientação se completa com bolsas da coleção especial da Louis Vuitton, incorporadas como objetos de design e expressão pessoal, ampliando o diálogo entre moda, arte e arquitetura e reforçando o caráter curatorial do espaço.

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