Artista leva ao pavilhão da Bienal do Ibirapuera peças inéditas inspiradas nos padrões fractais da natureza
A marca Gustavo Neves participa pela primeira vez da SP-Arte com a coleção Fractais, que reúne mobiliário, luminárias e objetos concebidos a partir de um conceito único. A estreia acontece entre 8 e 12 de abril, no pavilhão da Bienal do Ibirapuera, em São Paulo, no estande DS13.
Fractais são estruturas geométricas que se repetem em escalas diferentes, mantendo sempre a forma básica. Na natureza, estão em toda parte: na nervura de uma folha, na formação de um cristal. “Dizem que é a impressão digital de Deus”, comenta Gustavo, diretor criativo da marca. “Tudo na natureza se repete a partir de uma forma minúscula, microscópica. Essa mesma forma vai se multiplicando, aumentando em escala, e as proporções se mantêm exatamente as mesmas. Todas respeitam a proporção áurea.”
Essa lógica de repetição e variação atravessa a coleção inteira. As cadeiras, por exemplo, existem em versões de bronze e de madeira maciça, com medidas levemente distintas entre si. A escala muda, o material muda, mas a forma se mantém reconhecível. “As peças parecem fragmentos de um mesmo organismo, de uma mesma construção. Também existe essa referência ao fóssil: a peça é de bronze, mas a forma e textura podem remeter a uma pedra antiga”, explica o artista.
Gustavo trabalha com bronze há cerca de dez anos, quando resgatou uma técnica que, no Brasil, era praticamente exclusiva da produção artística. Na época, as fábricas especializadas estavam em desuso. “Quando eu comecei, o bronze era um material exclusivo de obra de arte”, lembra. Atualmente, 90% da produção da marca Gustavo Neves é produzida em fábrica própria.
Na Fractais, o bronze divide espaço com outros materiais que têm, cada um, sua própria história de pesquisa. A cerâmica mineral, por exemplo, é um desenvolvimento do próprio estúdio: em vez da argila convencional, feita de barro, a base é mineral, produzida a partir de pedra. O resultado confunde o olhar. “Há quem acredite que é pedra. A pessoa fica em dúvida sobre o material”, conta Gustavo. Já o vidro soprado, presente em vasos, mesas ou em arandelas onde bolhas de vidro emergem de estruturas em bronze, é executado por ele mesmo. “Para mim é uma terapia. Cada peça é única.”
A coleção traz ainda peças com cristal de rocha marroquina, que aparece em arandelas e esculturas, uma mesa de jantar de madeira maciça, cadeiras em bronze e madeira, poltronas, um bar suspenso inteiramente em bronze, pendentes e arandelas.
A cenografia do espaço segue a mesma lógica da coleção. As paredes serão revestidas por um grande patchwork de telas de canvas, cada uma pintada à mão por Gustavo com tinta natural. Biombos compostos pela mesma técnica recebem os visitantes na entrada.
A participação na SP-Arte marca também um momento de expansão para a marca, que desde 2019 é representada internacionalmente pela galeria Invisible Collection, com sedes em Londres, Paris, Nova York e Los Angeles. No Brasil, a revenda é feita pela Casual Móveis. A marca completa 11 anos em 2026 e planeja expandir horizontes. “Estamos abertos para o mercado e para abrir novas revendas tanto no Brasil quanto no exterior.” comenta Gustavo.



