Decameron apresenta a “Coleção Terra” e propõe o design como geografia de relações

Sob direção criativa de Marcus Ferreira, lançamento investiga o solo e suas nuances como condutores do mobiliário contemporâneo, em diálogo com a exposição “A permanência do Território”

Foto: Mostra “A permanência do Território” | Mateus Lima – Estúdio Mudda.

A Decameron lança sua nova “Coleção Terra”, um conjunto de peças que traduz o mobiliário como superfície de inscrição — um território onde o uso deriva da ação do tempo sob a matéria. As peças se organizam como um organismo, inspirado na noção de bioma como um campo dinâmico de relações.

A novidade já está em exposição no showroom da marca, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo, numa instalação assinada pelo Estúdio Manus que recebeu o nome de “A Permanência do Território”, que estará em destaque até o dia 02 de maio. “É uma instalação que celebra a verdade da matéria e o rigor do fazer artesanal”, explica Marcus Ferreira, designer e diretor da Decameron.

Em “Terra”, o design emerge de tensões sutis: rigidez e flexibilidade, permanência e adaptação, interior e exterior. As formas não são impostas, resultam da leitura de forças naturais que organizam o espaço e são interpretadas como novas possibilidades de uso. Cada peça integra esse ecossistema, funcionando como parte de um todo em constante equilíbrio.


O sofá Planalto estabelece a dicotomia de planos horizontais — o mais baixo acolhe, organiza e estabiliza o ambiente, enquanto outro mais alto envolve e integra o espaço, criando áreas de permanência onde o corpo encontra repouso sob medida. As poltronas surgem como desdobramentos desse campo: enquanto a Plano apresenta uma forma contida em linhas precisas e estruturais, a Dobra, assinada por Eder Monterroza, explora superfícies que se elevam e agrupam a matéria em camadas contínuas, oferecendo abrigo, conforto e contato.

Os pufes Bioma operam como volumes autônomos que desenham o espaço, ajustando relações de proximidade e uso com flexibilidade. Já a cadeira Deriva sugere leveza e deslocamento, acompanhando o corpo de maneira sutil, sem fixar posições, reforçando a ideia de adaptação ao cotidiano.

Completando o conjunto, as mesas Substrato, desenvolvidas por Marcus Ferreira em parceria com José Ruano, evidenciam o encontro entre materiais distintos, como couro e pedra, em uma composição que explicita a tensão entre o orgânico e o mineral. Aqui, a base deixa de ser suporte oculto e passa a ser elemento central, revelando o tempo e o peso como componentes da forma.

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