Entre tradição e inovação, o porcelanato desafia o protagonismo histórico do mármore nos projetos

Durante décadas, materiais como mármore e granito foram sinônimo de sofisticação em projetos residenciais e comerciais. Hoje, porém, o cenário mudou. O avanço tecnológico e as novas demandas de uso fizeram com que o porcelanato ganhasse cada vez mais espaço e, em muitos casos, se tornasse a principal escolha em obras e reformas no Brasil.
A mudança não é apenas estética, é também prática. Segundo o engenheiro civil e empresário do setor de construção Leonardo Ricardo Bonito, a evolução do porcelanato foi determinante para essa virada. “Hoje existem placas de grandes dimensões, que chegam a 1,60 por 3,20 metros, capazes de reproduzir mármores famosos com impressionante fidelidade visual. Isso reduz juntas, deixa o acabamento mais uniforme e evita surpresas comuns da pedra natural”, explica.
Além do aspecto visual, o custo e a manutenção também pesam na decisão, já que em muitos casos, o porcelanato pode custar uma fração do valor de um mármore importado, além de exigir menos cuidados no dia a dia, fator cada vez mais relevante para consumidores que buscam praticidade.
Apesar do avanço do porcelanato, a escolha entre os materiais ainda depende do uso. Cada opção apresenta vantagens e limitações específicas. O granito, por exemplo, continua sendo referência em resistência, especialmente ao calor. É comum em cozinhas justamente por permitir o contato direto com panelas quentes sem danos. Já o mármore, embora valorizado pela estética, exige mais cuidado. “É um material mais sensível: pode manchar com substâncias ácidas, como limão ou vinho, e também risca com mais facilidade”, afirma Bonito.

O porcelanato, por sua vez, se destaca pela praticidade, já que por ser praticamente impermeável, não absorve líquidos nem manchas com facilidade, além de apresentar boa resistência a riscos. Ainda assim, não é isento de limitações.
Onde cada material funciona melhor
A aplicação correta influencia diretamente na escolha. A pedra natural segue sendo amplamente utilizada em ambientes que exigem maior resistência e presença estética, como fachadas, escadarias, áreas externas e bancadas de cozinha com uso intenso.
Já o porcelanato se consolidou em espaços internos, especialmente em áreas úmidas, como banheiros e lavanderias, além de pisos de áreas sociais e revestimentos de paredes. O uso de grandes placas, que criam o efeito de superfície contínua, também se tornou tendência nos projetos. Em imóveis menores, essa característica tem ainda mais impacto. “A leveza do material e a facilidade de manutenção fazem do porcelanato de grande formato uma escolha quase padrão em apartamentos”, explica Bonito.
Erros comuns na escolha
Apesar das opções disponíveis, ainda é comum que decisões sejam tomadas sem considerar aspectos técnicos importantes. Um dos erros mais frequentes, segundo o especialista, é escolher pedra natural com base apenas em pequenas amostras. “A chapa real pode ter variações significativas de cor e veios, o que muitas vezes gera frustração. Outro ponto é não considerar a manutenção, especialmente no caso do mármore, que naturalmente sofre alterações com o uso”, afirma.
Custos indiretos também costumam ser subestimados: transporte, içamento e mão de obra especializada podem elevar significativamente o valor final de um projeto com pedra natural.
Tendência de convivência, não de substituição
Embora o porcelanato tenha ampliado sua presença, a tendência não é de substituição total, mas de complementaridade entre os materiais. A escolha passa cada vez mais por critérios de uso, orçamento e estilo de vida. “No fim das contas, não existe material melhor ou pior. Existe o material certo para cada situação. A decisão precisa considerar o uso real do ambiente, e não apenas a estética idealizada”, conclui Leonardo Ricardo Bonito.

