Com natureza preservada e projetos autorais, imóveis na Interpraias devem valorizar até 50% em dois anos

Região de Balneário Camboriú com regras ambientais que limitam a altura das construções e controlam a ocupação do solo, a Interpraias tem atraído projetos assinados por arquitetos renomados e incorporadoras de alto padrão; combinação de oferta restrita, preservação do entorno e novos investimentos em infraestrutura sustentam a expectativa de valorização no curto prazo

Estaleiro e Estaleirinho – Fotp: Daniel Leite

Maio, 2026. Em uma cidade conhecida pela verticalização, a faixa litorânea de Balneário Camboriú formada por Estaleiro, Estaleirinho, Taquaras, Taquarinhas, Pinho e Laranjeiras passou a operar em outra lógica: baixa densidade, restrições ambientais rígidas e arquitetura como ativo central de valor. Segundo levantamento da J. Maurício, empresa especializada em transações imobiliárias na Interpraias há mais de 25 anos, o metro quadrado local acumulou valorização superior a 200% nos últimos cinco anos e a projeção agora é de alta adicional de até 50% em dois anos, sustentada por oferta limitada, novos empreendimentos autorais e um pacote de infraestrutura que inclui R$ 720 mil em investimentos em segurança e monitoramento territorial.

“Interpraias deixou de ser apenas uma alternativa ao centro verticalizado de Balneário Camboriú e passou a formar um mercado próprio sustentado pela previsibilidade. O investidor sabe que ali existem regras ambientais e urbanísticas que limitam o adensamento, protegem o entorno e preservam a paisagem. Quando a oferta é curta, o produto é bem desenhado e o território mantém sua essência, a valorização deixa de ser episódica e passa a seguir uma trajetória mais consistente”, afirma Maurício Girolamo, CEO da J. Maurício e vice-presidente do conselho gestor da APA Costa Brava.

Praia de Taquaras – Foto: Daniel Leite

Na prática, esse diferencial está no “manual” de ocupação. A Interpraias está inserida em uma área de proteção ambiental com plano de manejo que define parâmetros por zona. Nas áreas planas, o limite é de até três pavimentos e a ocupação máxima chega a 40% do terreno; na morraria, o gabarito é menor e a ocupação, mais restrita. Esse desenho reduziu a margem para projetos de escala e empurrou o mercado para outra direção: menos volume, mais projeto. O resultado é um território em que o valor do imóvel depende cada vez mais da implantação, da assinatura e da capacidade de a arquitetura dialogar com a paisagem.

Um dos casos é o projeto da construtora Blue Heaven focada em luxo integrado à natureza, no Estaleirinho, assinado por Márcio Kogan e Samanta Cafardo, do Studio MK27. O empreendimento terá apenas seis apartamentos em três pavimentos e adota soluções construtivas pouco usuais no mercado residencial brasileiro, como estrutura em madeira engenheirada e embasamento em concreto ciclópico, com grandes blocos de pedra aparentes. A proposta é criar um edifício que se dissolve na paisagem, com volumes horizontais que lembram lajes suspensas, grandes aberturas envidraçadas e integração direta com a restinga. As unidades, com até 312 m², terão piscinas orgânicas privativas e terraços com jardins amplos, enquanto cerca de 60% do terreno terá a biodiversidade preservada, reforçando a lógica de um projeto que se adapta ao ambiente, e não o contrário.

Outro exemplo vem da AG7, incorporadora com foco em wellness building do Brasil, que anunciou a transformação da área do antigo Parador Estaleiro Hotel em seu primeiro empreendimento de alto luxo em Santa Catarina, na Praia do Estaleirinho. O projeto, com investimento estimado em R$ 282 milhões, terá arquitetura de Isay Weinfeld e apartamentos entre 300 m² e 450 m², com proposta voltada ao bem-estar e a um modelo residencial de baixa densidade.

Lucas Pasquali Peixoto; José Maurício Girolamo; Theo Reichow Girolamo – Foto: Gilson Junior

Para Theo Girolamo, corretor da J. Maurício, isso indica uma mudança no perfil da região. “A entrada de incorporadoras com histórico em projetos premiados em sustentabilidade e em wellness building mostra que a Interpraias passou a atrair investimentos de longo prazo em ativos de oferta limitada. O que está em construção ali é uma identidade. Quando você combina arquitetura autoral, paisagem preservada, regras e oferta limitada, o território começa a ser reconhecido por um padrão próprio. Isso muda a percepção de valor. O comprador não está levando só um imóvel, mas um lugar que tende a ficar mais raro com o tempo”, afirma.

Praia de Estaleiro – Foto: Daniel Leite

Se a projeção da J. Maurício se confirmar, a região caminha para um novo patamar de preço e posicionamento. No centro de Balneário Camboriú, a lógica segue sendo a altura e a escala. Na região da Interpraias, o vetor é outro: escassez regulada, desenho autoral e preservação do entorno. É essa diferença que começa a transformar o trecho mais preservado do município em uma espécie de galeria a céu aberto do litoral catarinense.

Sobre a J. Maurício Imobiliária

Com mais de 25 anos de atuação, a J. Maurício Imobiliária é especializada na região da Interpraias, em Balneário Camboriú/SC (Laranjeiras, Taquaras, Pinho, Estaleiro e Estaleirinho), com foco na intermediação de imóveis. A empresa tem sede no Estaleirinho e atua com curadoria de oportunidades e condução completa das negociações, com atenção a aspectos documentais e às regras ambientais e urbanísticas que regem a APA Costa Brava.

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