Assinado por Vinícius Rosaneli, o apartamento Ybytu ocupa uma cobertura duplex de aproximadamente 400 m² em Salvador, resultado da unificação de duas unidades

Distribuído em dois níveis com atmosferas complementares, o apartamento explora contrastes entre sombra e luminosidade, introspecção e abertura. O projeto também se estrutura a partir de variações de luz entre os pavimentos, com o nível inferior mais sombreado e introspectivo, e o superior mais aberto e intensamente iluminado.
No pavimento inferior, predominam tons claros, madeira freijó e uma ambiência mais calma e resguardada. Já o pavimento superior assume caráter mais social e expansivo, com materialidade mais expressiva, maior incidência de luz natural e integração com a área externa.
A materialidade combina travertino, madeira e vidro, reforçando a continuidade espacial e a relação com o entorno. A piscina em mármore verde Guatemala estabelece um diálogo direto com o mar, ampliando a percepção de horizonte e dissolvendo limites entre arquitetura e paisagem.
PAVIMENTO SUPERIOR | ÁREA SOCIAL E LAZER

Com caráter mais aberto e luminoso, o pavimento superior concentra os espaços de convivência e lazer, ampliando a relação com o exterior e com a vista para o mar.

Espaço Gourmet
Ambiente voltado para recepção e convivência, com materiais mais quentes e presença de madeira escura, criando contraste com o pavimento inferior.

Sala de TV
Área mais intimista dentro do pavimento social, equilibrando conforto e integração com os demais espaços.
Terraço e Piscina
A piscina em mármore verde Guatemala atua como extensão visual do mar, reforçando a continuidade entre arquitetura e paisagem. A incidência direta de luz natural intensifica os contrastes e valoriza as superfícies.
PAVIMENTO INFERIOR | ÁREA ÍNTIMA E DE ESTAR

Base mais reservada do projeto, o pavimento inferior concentra os espaços de uso cotidiano, organizados a partir de uma atmosfera mais suave, com luz filtrada e predominância de materiais claros.
Living
Ambiente de estar com baixa densidade de mobiliário, priorizando amplitude visual e continuidade com a paisagem. A paleta clara e o uso de freijó reforçam a sensação de acolhimento e relaxamento.
Cozinha
Integrada ao living, a cozinha segue a mesma linguagem material, com soluções discretas e funcionais que preservam a fluidez espacial.
Suíte
Área íntima marcada pela luz difusa e pela presença de materiais naturais, reforçando o caráter de refúgio do pavimento.
Banheira
Elemento de destaque na área íntima, a banheira Valvée se integra ao espaço como peça escultórica, valorizando o tempo desacelerado e a experiência sensorial.

CURADORIA E NARRATIVA ESPACIAL
O apartamento Ybytu se apresenta como uma experiência sensorial onde a matéria encontra o ar e o mar se torna presença viva na arquitetura. Mais do que um cenário, o espaço traduz a ideia de habitar o horizonte. A arquitetura dissolve os limites entre dentro e fora, entre corpo e paisagem, em uma linguagem onde a luz é substância e o silêncio, presença.
LUZ, PROPORÇÃO E MATERIALIDADE
O diálogo entre travertino, madeira e vidro constrói uma atmosfera de calma e permanência. Cada superfície reflete a passagem do tempo, revelando texturas sutis que respiram junto com o espaço. A luz natural, suavizada por cortinas translúcidas e planos de sombra, percorre o ambiente como se fosse matéria tátil, revelando o rigor geométrico característico do arquiteto, temperado pela suavidade tropical de seu olhar.
O ESSENCIAL COMO FORMA
Em Ybytu, o essencial não é ausência, mas presença consciente. A composição revela o equilíbrio entre o cálculo e o afeto, entre o traço preciso e a organicidade da natureza. O mobiliário, de linhas puras e volumes generosos, reforça essa dualidade de rigor e conforto, técnica e alma. Há algo de musical na repetição dos elementos, nas luminárias alinhadas, nos planos contínuos, no ritmo entre cheios e vazios, como se cada detalhe fosse uma nota dentro de uma sinfonia arquitetônica.
ARTE E CURADORIA
A arte é parte do organismo espacial, não adorno, mas extensão. Pinturas vibrantes rompem a neutralidade das paredes e criam contrapontos emotivos em diálogo com obras geométricas e esculturas que pontuam o percurso visual. A curadoria reflete a coerência estética de Rosaneli, com uma integração cenográfica e sensorial que transforma o ambiente em narrativa.
HABITAR O HORIZONTE
Do terraço à suíte, tudo se orienta para o azul. O mar deixa de ser paisagem para tornar-se espelho, um reflexo daquilo que o arquiteto define como presença silenciosa do tempo. Cada enquadramento de janela é uma moldura para o infinito, reafirmando a vocação do estúdio em criar espaços que acolhem o olhar e suspendem o tempo. Ybytu reafirma o propósito essencial do trabalho de Vinícius Rosaneli ao projetar atmosferas que unem rigor modernista e leveza tropical em uma arquitetura que se revela no intervalo entre o que é construído e o que é sentido.
