
Em sua primeira participação na CASACOR São Paulo, a arquiteta Maria Araujo apresenta um projeto construído sobre dois princípios que orientam o trabalho do seu escritório: o respeito pela história do lugar e a afirmação de uma identidade regional que não se deixa resumir em clichês. O ambiente Casa Brasiliense, de 61 metros quadrados, ocupa um dos espaços do casarão no Parque da Água Branca, edifício tombado datado dos anos 1920, e responde ao tema da mostra, Mente e Coração, a partir de escolhas muito concretas de projeto.

O tema da CASACOR São Paulo 2026 se traduz, no trabalho de Maria Araujo, em decisões de projeto. A mente aparece na estrutura: portais alinhados com rigor cartesiano e sequência de eixos que remete ao traçado de Brasília. O coração está no conteúdo que preenche essa estrutura, com obras de artistas do Centro-Oeste, mobiliário de designers brasilienses e fornecedores da cidade. “Trouxemos a linguagem do escritório, muito da nossa mente e do nosso coração”, disse a arquiteta.
O projeto resgata a história e memória do casarão. As janelas permanecem expostas, o piso original é preservado e os rodatetos foram reintegrados ao ambiente. Em um edifício tombado, a intervenção se apresenta como diálogo com a edificação existente. A cor funciona como marcador: a moldura dos arcos, em painéis em MDF em um tom avermelhado, é a afirmação mais explicitamente contemporânea sobre a estrutura centenária. Verde e azul completam a paleta, alinhada à identidade visual recém-lançado do escritório.

Para os revestimentos em madeira, o projeto combina dois padrões. O MDF em pau-ferro, espécie de madeira com forte presença na arquitetura brasiliense, foi escolhido por essa carga simbólica. O laminado natural de sucupira reveste as peças de design autoral do escritório: a estante, a escrivaninha e a mesa de cabeceira, os três desenvolvidos especificamente para o espaço. A pedra é um quartzito brasileiro em tom cinza, utilizado principalmente nas bancadas. No banheiro, o revestimento cerâmico em pequeno formato acompanha a paleta cromática do projeto e faz referência aos azulejos que marcam a memória visual de Brasília.

O mobiliário inclui referências do design internacional, como o sofá Fiandra de Vico Magistretti e a cadeira Hill House de Charles Mackintosh, mas o interesse do projeto está em como essas peças convivem com a produção local. Tunico Lages, designer que trabalha com madeira de reaproveitamento do cerrado, assina a cadeira da escrivaninha. Danilo Vale contribui com espelhos de moldura produzida em retalho de couro gerado no próprio processo de estofamento de outro móvel do ambiente.
A escolha por designers brasilienses não é circunstancial: é parte da mesma lógica que orienta a seleção das obras de arte. Siron Franco, Renato Rios e Helô Sanvoy integram o projeto, esta última com trabalho em vidro e cor situado no quarto. A seleção foi conduzida com a Galeria Cerrado, parceira da Almeida Dale. Com a Casa Brasiliense, Maria Araujo responde ao tema Mente e Coração a partir do que já orienta o seu trabalho: a precisão formal como método e o pertencimento como ponto de partida.
Ficha Técnica
Obras de arte: Galeria Cerrado
Artistas: Siron Franco, Renato Rios e Helo Sanvoy
Mobiliário: Aquiles Gallery
Sofá Fiandra Vico Magistretti, Poltrona Percival Lafer, Cadeira Tunico Lages, cadeira Hill
House Charles Mackintosh, Poltrona Pascal Mourgue, Banqueta Novo Rumo, banco, mesa
lateral Noemi Saga.
Mobiliário autoral: estante, escrivaninha e cômoda lateral.
Iluminação: Persoluce
Cortina: A morada
Tapetes: Carminati
Luminárias decorativas: Adriana Yazbek, La Lampe & Dominici e Interpam.
Espelho: Danilo Vale
Sobre Maria Araujo
Maria Araujo é arquiteta e urbanista, fundadora do escritório Maria Araujo Arquitetura, com sede em Brasília. Sua produção transita entre projetos residenciais, comerciais e de nteriores, sempre guiada por uma arquitetura contemporânea que encontra no modernismo brasileiro uma de suas principais referências. A partir de uma leitura atenta de cada espaço e de quem o habita, seus projetos buscam equilibrar precisão formal, materialidade e permanência. Luz natural, proporção, textura e a relação entre arquitetura e cotidiano aparecem como elementos centrais do seu trabalho, conduzido de forma autoral desde o conceito até os detalhes executivos da obra. Com uma abordagem que valoriza o diálogo entre memória e contemporaneidade, o escritório desenvolve projetos que preservam identidade e contexto, ao mesmo tempo em que constroem novas narrativas para os espaços.
Sobre a CASACOR
A CASACOR São Paulo, a mais completa plataforma cultural de arquitetura, paisagismo e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, decoradores e paisagistas e em 2026 chega à sua 39ª edição em São Paulo, no Parque da Água Branca.
SERVIÇO – CASACOR São Paulo 2026
Onde: Parque da Água Branca – Rua Dona Ana Pimentel, s/n portaria G4 do PAB
Quando: de 02 de junho a 09 de agosto de 2026
Horário de funcionamento do evento:
Terça a domingo das 11h às 22h
Horário bilheteria:
Terça a domingo* das 11h às 20h15
*fechamento da bilheteria física 15 minutos após o último horário. A visita poderá acontecer
até às 22h.
