A escala do espaço, a proximidade dos encontros

Em TriBeCa, Nova York, o Ministry of Design assina o design de interiores de um apartamento de 350 m² na 52 Lispenard Street, concebido em torno de dois elementos indissociáveis, música e convivência. Liderado por Dudu Logemann, o projeto parte menos da ideia de organizar ambientes e mais da maneira como seus moradores desejam ocupá-los, cercados por amigos, livros, instrumentos, objetos pessoais e referências construídas ao longo do tempo.

A música atravessa o apartamento como parte da vida cotidiana. Guitarras aparecem junto às grandes janelas de TriBeCa, enquanto o piano e sistemas de som vintage integram-se ao mobiliário. Equipamentos históricos da Bang & Olufsen reforçam a presença do design industrial. Instrumentos e aparelhos permanecem acessíveis e incorporados naturalmente ao espaço.

Generoso em escala, o apartamento busca proximidade. Mesmo com espaços amplos, o design de interiores reduz distâncias e estabelece núcleos de convívio. 

No living, um tapete de 12 por 6 metros estabelece uma plataforma para o mobiliário e concentra diferentes pontos de permanência, em resposta a uma rotina marcada pela presença constante de convidados. Sofás baixos e profundos, poltronas e pequenas mesas compõem uma área mais íntima, conferindo proporção à escala do ambiente sem comprometer sua fluidez.

A paleta cromática abandona a neutralidade como recurso de unidade. Vermelho, azul-marinho e verde ganham profundidade em veludo cotelê, lã e crina de cavalo, compondo uma atmosfera masculina equilibrada pela relação entre cor e textura.

O contraste entre superfícies define outra camada do projeto. Paredes em gesso veneziano polido recebem e devolvem a luz que entra pelas grandes aberturas, enquanto extensas superfícies espelhadas multiplicam perspectivas e alteram a percepção dos ambientes. Em contraponto, têxteis e madeira introduzem densidade tátil, calor e conforto.

O projeto estabelece diferentes ritmos para viver, trabalhar e receber. O repertório de Dudu Logemann se expressa na liberdade com que mobiliário e composição espacial transitam entre diferentes usos. A biblioteca materializa essa ideia. Durante o dia, funciona como escritório. À noite, a configuração muda, as cadeiras de trabalho dão lugar às cadeiras de jantar e a mesma mesa passa a reunir os convidados. Essa dinâmica não nasce da busca por otimização, mas de uma escolha sobre como morar.

O contraste entre superfícies define outra camada do projeto. Paredes em gesso veneziano polido recebem e devolvem a luz que entra pelas grandes aberturas, enquanto extensas superfícies espelhadas multiplicam perspectivas e alteram a percepção dos ambientes. Em contraponto, têxteis e madeira introduzem densidade tátil, calor e conforto.

Nos ambientes privados, a linguagem torna-se mais contida, sem abandonar referências pessoais. Fotografia, literatura e objetos afetivos compõem interiores que revelam interesses sem transformar o loft em exposição.

Em 52 Lispenard Street, a identidade do Ministry of Design se revela na forma como design moderno, produção contemporânea, obras de arte e peças de caráter singular estabelecem conexões entre referências atemporais e repertório internacional, enquanto o desenho dos espaços privilegia os encontros.

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