8 tendências que definem o design apresentado na ABIMAD 2026

A arquiteta Camila Palladino, à frente do escritório Palladino Arquitetura, analisa os principais movimentos da feira, onde materiais naturais, formas envolventes e referências retrô apontam para um design mais afetivo, sensorial e autoral

Realizada de 27 a 30 de janeiro de 2026, no São Paulo Expo, a ABIMAD 2026 reafirmou seu papel como a principal vitrine do design de alto padrão da América Latina. Para a arquiteta Camila Palladino, do escritório Palladino Arquitetura, a edição revelou um olhar cada vez mais atento ao conforto emocional dos espaços, com interiores que privilegiam sensações, acolhimento e uma conexão genuína com a identidade brasileira, sem abrir mão da sofisticação e da inovação.

A seguir, Camila destaca as principais tendências que marcaram esta edição da feira:

1. Cores quentes e texturas que convidam ao toque

A madeira surge como protagonista, especialmente em lâminas naturais e tons mais quentes, criando atmosferas acolhedoras e envolventes. Tecidos de apelo natural, como linho, bouclês de algodão, couro, camurça e suedes mais encorpados, reforçam a busca por conforto tátil. Tramas largas, tecidos mesclados e almofadas em tricô e crochê evidenciam a valorização do feito à mão e da brasilidade.

2. O diálogo entre materiais como gesto criativo

A combinação de madeira, tecidos e formas arredondadas traz leveza ao mobiliário, enquanto a introdução de aço, ferro e serralheria imprime contraste e contemporaneidade. A natureza permanece como principal fonte de inspiração, refletida no uso expressivo de pedras naturais nacionais e em composições que equilibram força e delicadeza.

3. Curvas com mais intenção e estrutura

As formas orgânicas seguem em evidência, mas agora dialogam com linhas mais retas e geometrias ortogonais. O resultado são peças com volumes mais definidos e desenho mais preciso, afastando-se das formas excessivamente ameboides e apostando em uma estética elegante e atemporal.

4. O retrô revisitado com sofisticação

Referências aos anos 1970 marcam presença, assim como o retorno de cadeiras em palha e vime, ícones do final dos anos 1980 e início dos anos 1990. Essas peças reaparecem em releituras contemporâneas, com design mais arrojado e acabamentos como laca metalizada, equilibrando memória afetiva e linguagem atual.

5. Novas narrativas para os espaços externos

As áreas externas ganham protagonismo com o uso de materiais naturais como vime, bambu, madeira e linho, enquanto as tradicionais cordas náuticas perdem espaço. Os tecidos outdoor evoluem em sofisticação, funcionalidade e conforto, ampliando as possibilidades estéticas para varandas e áreas de lazer.

6. A cor em papel de destaque

A cor deixa de ser coadjuvante e assume protagonismo no mobiliário. Além das mesas de apoio, surgem cadeiras de design retrô-moderno com acabamentos em laca colorida. Tons de vinho e bordô aparecem de forma intensa em móveis e estandes, muitas vezes combinados a superfícies de alto brilho e acabamentos hi-gloss.

7. Estofados que acolhem e tecnologia integrada

Os sofás apostam no conforto absoluto, com desenhos mais retos, braços finos ou inexistentes e predominância de modelos fixos, muitos deles em formato L ou com chaise integrada. As poucas opções de sofás retráteis já incorporam tecnologia de ponta, com sistemas motorizados e integração com assistentes virtuais, sinalizando a consolidação da automação no mobiliário de alto padrão.

8. Artesanato, decoração e identidade brasileira

De forma geral, a feira apresentou uma forte presença de tons quentes, peças artesanais e o uso recorrente de pedras naturais, reforçando a brasilidade como valor estético e cultural. Para Camila Palladino, a ABIMAD 2026 revela um momento de maturidade do design nacional, que une identidade, conforto e inovação em propostas cada vez mais sofisticadas e autorais.

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