Arquitetura sensorial conecta gastronomia e experiência na Praia Brava
Localizado na Praia Brava, em Florianópolis, o restaurante May, criado pela arquiteta Mariana Maisonnave, foi concebido como uma experiência imersiva que traduz um estilo de vida contemporâneo à beira-mar. A proposta integra o lançamento do empreendimento D/Pulse, da Construtora Dimas, e nasce com a intenção de materializar, por meio da arquitetura, valores como bem-estar, sofisticação discreta e conexão com a natureza.
A arquiteta desenvolveu um espaço que articula arquitetura e gastronomia em uma narrativa sensorial, no qual cada elemento contribui para a construção de uma atmosfera acolhedora e envolvente. Com linguagem contemporânea e atemporal, o projeto se apoia no uso de materiais naturais, texturas orgânicas, luz filtrada e sombras desenhadas.
Uma arquitetura que traduz um estilo de vida despretensioso, no qual o conforto e a experiência assumem protagonismo. Uma leitura sensível da experiência à beira-mar, inspirada no ritmo desacelerado e na paisagem natural de Florianópolis, cidade de origem da profissional.
Pensado como uma estrutura leve e de rápida execução, o espaço foi construído em apenas 50 dias. A solução parte de três containers que configuram as áreas fechadas da construção, sendo cozinha, apoio e um espaço destinado ao showroom do empreendimento. Esses volumes são conectados por um amplo deck de madeira, responsável por organizar os fluxos e promover a integração entre os ambientes.
A materialidade desempenha papel central na construção da identidade do projeto. A seleção de materiais buscou equilibrar estética, durabilidade e resistência ao clima litorâneo. A madeira natural aparece na estrutura e no mobiliário, trazendo calor e textura. Revestimentos minerais e pedras reforçam a durabilidade e estabelecem uma conexão direta com a paisagem.

Tecidos leves filtram a luz e introduzem movimento à arquitetura, enquanto elementos artesanais acrescentam delicadeza e humanizam os espaços.
A experiência é marcada por um forte componente sensorial. O toque da madeira, o som do vento atravessando os tecidos e o jogo de luz e sombra criam uma atmosfera de conforto e acolhimento. A arquitetura propõe uma sofisticação silenciosa, na qual nenhum elemento é excessivo, mas todos são cuidadosamente pensados para gerar bem-estar.
O projeto luminotécnico, também assinado pelo escritório, valoriza diferentes momentos ao longo do dia. Durante o período diurno, a luz natural é filtrada por tecidos e elementos vazados, criando sombras suaves e dinâmicas. À noite, a iluminação artificial atua de forma pontual e acolhedora, com luz indireta aplicada em arcos, estantes e pontos estratégicos que destacam os materiais e criam uma atmosfera intimista.
A escolha por uma iluminação quente e com baixo índice de ofuscamento reforça a percepção de conforto e valoriza as texturas naturais sem protagonismo excessivo, contribuindo para um ambiente elegante e convidativo.
A sustentabilidade também orienta o projeto e aparece de forma integrada à arquitetura. O uso de materiais duráveis, a ventilação cruzada e o amplo aproveitamento da iluminação natural reduzem a dependência de sistemas artificiais. O espaço aberto e permeável dialoga com o clima local, minimizando a necessidade de climatização mecânica.
Além disso, a especificação de equipamentos de baixo consumo e a valorização de fornecedores e mão de obra locais reforçam o compromisso com práticas mais responsáveis, tanto do ponto de vista ambiental quanto social. Nesse contexto, a sustentabilidade não se limita apenas a aspectos técnicos, mas também a uma abordagem cultural. Criar ambientes que convidam à permanência, ao cuidado e à conexão com o entorno torna-se parte essencial da proposta, reforçando a ideia de que projetar com sensibilidade também é uma forma consciente de construir.







