A mostra reúne esculturas, instalações e obras de arte que dialogam com corpo, tempo, ancestralidade e natureza

A 38ª edição da CASACOR São Paulo expande os conceitos convencionais de arquitetura e design ao incorporar a arte como elemento essencial dos ambientes. As obras exibidas vão além de meros adornos, atuando como narrativas sensoriais, políticas e poéticas, escolhidas por uma curadoria criteriosa dos arquitetos, designers e artistas. O evento acontece até 3 de agosto, no Parque da Água Branca.

Entre os destaques está “O Avesso da Terra”, uma instalação viva da artista Bruna Mayer, que abriga, em recipientes de vidro com iluminação interna, microrganismos coletados do corpo da própria artista e do parque. A obra cria um microclima em constante transformação, revelando a simbiose entre corpo e natureza ao longo da mostra. Já Juliana dos Santos, com a obra “Dois Tempos”, apresenta lonas pigmentadas com elementos orgânicos e minerais que se oxidam e se transformam, refletindo poeticamente a passagem do tempo.

Na bilheteria da mostra, assinada pela arquiteta Gleuse Ferreira, a arte se funde com a memória pessoal: uma obra de Marcelo Eco, com efeitos de ilusão óptica, revela o rosto de Lampião, uma homenagem direta à história familiar da arquiteta, bisneta do icônico cangaceiro.

Na Casa Paulistana, João Panaggio, com curadoria de Lurdinha Piquet, apresenta uma escultura em madeira de cajacatinga do artista Marcelo Silveira, que cria um ponto de transição entre os espaços, unindo arte e arquitetura de forma orgânica.

O ambiente Café com Tempo, de Daniela Andrade, exibe uma tela da artista Mai-Britt Wolthers, inspirada na floresta. A obra propõe um gesto poético que transforma o silêncio da natureza em reflexão sobre tempo, memória e permanência.

No Gazebo da Botânica, assinado por Ale Mellos, a obra de Fabiana Preti da série “Viçosa” apresenta uma paleta com traços de verde e azul, evocando a paisagem natural em sintonia com o tema central de resgate da relação com a terra, paisagens e serenidade.

A Casa Toushi, de Bruno Carvalho, ganha expressão com uma pintura da artista Célia Euvaldo, da Galeria Simões de Assis. A obra traz uma gestualidade silenciosa que ecoa equilíbrio e fluidez por todo o ambiente.

Na Adega Legado, projeto do arquiteto Gabriel Rosa, a cerâmica de Lilian Malta ganha papel sensível em um ambiente que celebra o tempo, a ancestralidade e a estética negra com sofisticação e simbolismo. Integrando o conceito Black Dandy, o espaço é marcado por uma paleta intensa e texturas refinadas. As peças cerâmicas contribuem para essa narrativa ao evocarem memória e permanência, como pequenos altares visuais que sustentam a poética do espaço.

Natan Gil, no ambiente Sussurros das Montanhas, apresenta flores do artista Mauro Piva que parecem brotar das paredes, como poesia viva inserida no espaço arquitetônico.

No projeto de Natália Xavier, a tela “Inferno de Dante”, de Cassia Aresta, reforça a introspecção como linguagem artística, conectando o visitante a temas profundos e existenciais.


Já no Loft Alvorá, assinado por PN + | Paula Neder, a obra têxtil de Pat Lobo entrelaça linho, feltro, algodão e cerâmica em uma coleção poética que costura tempo, sonho e matéria.

O Hall Raízes, de Renzo Cerqueira, apresenta a tela “Movimentos”, de Arthur Arnold, cuja argamassa e pinceladas intensas exibem uma presença emocional que reverbera por todo o ambiente.

O Rodra Arquitetura expõe uma pintura de Vasarely, compondo um mosaico visual que transita entre o renomado e o afetivo, enriquecendo o Estúdio Potiguar com sua presença icônica.

A espiritualidade também se manifesta de forma marcante no espaço Eternum Vitae, do La Rous Studio, da arquiteta Larissa Perna, com a obra “Aeternitas”, de Renan Benedito.

No ambiente Sopro, da arquiteta Beatriz Quinelato, a escultura “Seres”, de André Ferri, mistura madeira e cerâmica em uma criação de potência transcendental.

A ancestralidade ganha destaque no ambiente assinado por Pedro Coimbra, com o mural da artista indígena Yacunã Tuxá, que traz a potente frase “A montanhosa mulher sonhava”. A obra se integra à instalação sensorial, onde arquitetura, memória e arte se entrelaçam em uma experiência de contemplação e deslocamento do olhar.

A luminária de piso Orgus n.10, de Humberto da Mata, feita com madeira, papel machê, caulim, resina e componentes elétricos, destaca-se na Casa Coral de Mauricio Arruda como um objeto escultural com função e poesia.

No espaço de Brunete Fraccaroli, duas obras da artista Geovana Cléa — “Karapotó” e “Oporá-ánã-árreiá-árreiá” — trazem a força simbólica da terra e da ancestralidade para o projeto.

No ambiente de Lui Costa, a escultura “Mata Atlântica”, de Antonio Saggese (Galeria Kobbi Gallery), feita em metal, espelha e dialoga com o próprio entorno, criando uma reflexão visual.

Já Marcos Serrano Miralles, na Galeria Vertical, apresenta uma curadoria refinada que reúne cerâmicas da Coleção Lagos, do projeto Dinisenaemcasa, e obras da Galeria Luciana Brito. O resultado é uma exposição sensível e elegante, que convida à pausa dentro da mostra.

No espaço de Tufi Mousse, a tela “Rosto Vermelho”, de Antonio Malta Campos, explora as distinções entre o abstrato e o figurativo, ampliando as possibilidades da interpretação visual.

Outros destaques incluem a obra “A Ponte”, de Rocio Aguirre (Studio Aguirre), criada especialmente para aqueles que sonharam unir paladares e histórias em um só lugar, exposta no ambiente Casa Buriti da arquiteta Fernanda Rubatino. A paleta de cores evoca a serenidade das águas e a riqueza da flora pantaneira, trazendo sensação de acolhimento e harmonia ao ambiente.

Até mesmo os banheiros ganham protagonismo artístico: no espaço de Giovanni Vespe, a tela “Doce Colheita II”, de Jorge Souza, apresenta maçãs em relevo e tensiona desejo e moralidade em uma leitura contemporânea do paraíso.

Por fim, o escritório Fichberg Arquitetura apresenta uma obra da artista Silvana Mendes, pertencente à série Fresta, uma colagem fascinante baseada em uma obra clássica do pintor Marie-Guillemine Benoist, que valoriza o espaço com uma nova simbologia artística.
Preservação e sustentabilidade
Todas as construções são temporárias e seguem diretrizes de tombamento, com melhorias nos prédios, como limpeza interna, higienização das fachadas, instalação de elevadores para acessibilidade e manutenção das coberturas, sob supervisão dos órgãos de patrimônio.
Sobre a CASACOR
Empresa do Grupo Abril, a CASACOR é reconhecida como a maior plataforma cultural de arquitetura, paisagismo, arte e design de interiores das Américas. O evento reúne, anualmente, renomados arquitetos, decoradores e paisagistas e em 2025 chega à sua 38ª edição em São Paulo em um novo endereço, o Parque da Água Branca.
