Saiba como utilizar as cores do ano na decoração

Especialistas explicam como aplicar as tonalidades tendência de forma equilibrada, preservando identidade, estilo e bem-estar

A cada início de ano, o universo da arquitetura e da decoração se renova a partir do anúncio das cores que irão nortear projetos, produtos e ambientes. Mais do que tendências passageiras, essas tonalidades refletem comportamentos, emoções e desejos coletivos, transitando entre o conforto, a conexão com a natureza e a busca por equilíbrio emocional. Diante de uma cartela que vai do branco clássico aos verdes vibrantes e azuis profundos, surge uma dúvida recorrente: como usar as cores do ano sem abrir mão da personalidade e do estilo de cada morador?

Entre os destaques, o Pantone Cloud Dancer, um branco leve e quase etéreo, surge como base perfeita para quem busca luminosidade, atemporalidade e sensação de amplitude. Já o Coral Azul Puro, com seu simbolismo de equilíbrio e serenidade, reforça a necessidade de ambientes que transmitam calma e estabilidade em meio à rotina acelerada. A paleta se expande ainda com o Suvinil Tempestade, um rosa acinzentado sofisticado, e o Cipó da Amazônia, verde amarelado vibrante que remete à natureza tropical e à vitalidade. No cenário internacional, a aposta da WGSN e Coloro, o Transformative Teal, apresenta uma fusão fluida entre azul escuro e verde aquático, refletindo transformação, profundidade e inovação.

Para a designer de interiores Daiane Antinolfi, a aplicação das cores do ano deve partir do entendimento do estilo de vida dos moradores. “As cores não precisam dominar o ambiente; elas podem aparecer em detalhes, texturas e pontos focais, criando atualização visual sem descaracterizar o projeto”, explica. Segundo ela, almofadas, poltronas, marcenaria pontual e obras de arte são recursos eficientes para inserir tendências com flexibilidade.

O arquiteto Pedro Coimbra ressalta que a escolha cromática também dialoga com a arquitetura do espaço. “Tons claros como o Cloud Dancer valorizam a luz natural e funcionam muito bem como pano de fundo, enquanto cores mais intensas ganham força quando aplicadas de forma estratégica, respeitando volumes e proporções”, conclui o profissional.

Já o arquiteto Marcos Serrano Miralles destaca a influência direta das cores na percepção sensorial dos ambientes. “Azuis e verdes, como o Transformative Teal ou o Cipó da Amazônia, criam uma atmosfera de acolhimento e conexão com a natureza, algo cada vez mais desejado nos projetos residenciais e corporativos”, pontua.

Segundo Anderson Macena, da +LED Lighting & Décor, o Cloud Dancer interfere na iluminação do ambiente, pois maximiza tanto a luz natural quanto artificial, ampliando visualmente o espaço, por isso, a temperatura da lâmpada irá determinar o clima do ambiente. “Ao escolher a luz quente, é possível criar um ambiente acolhedor, suave e convidativo. Já a luz fria agrega uma sensação de clareza e serenidade ao espaço”, complementa Macena.

Na mesma linha, a designer Daniela Ferro reforça que as cores tendência não precisam seguir uma regra rígida. “O segredo está na combinação: misturar tonalidades atuais com materiais naturais, como madeira, pedra e fibras, traz equilíbrio visual e torna o espaço mais atemporal”, comenta.

Além da estética, o impacto emocional das cores tem ganhado protagonismo nos projetos contemporâneos. A psicóloga Dra. Cristiane Pertusi explica que a escolha cromática interfere diretamente no humor e no comportamento. “Cores suaves tendem a promover relaxamento e segurança, enquanto tons vibrantes estimulam criatividade e energia, sendo ideais para espaços de convivência”, esclarece.

Sob a ótica da neurociência, a neuropsicanalista Carla Salcedo complementa que o ambiente influencia o bem-estar de forma inconsciente. “As cores atuam no cérebro emocional, podendo reduzir o estresse, aumentar a sensação de conforto ou estimular estados de atenção, o que torna a escolha cromática uma ferramenta poderosa para a qualidade de vida”, conclui.

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