Bahia ocupa 14ª posição em novo índice nacional de infraestrutura lançado pelo Confea

Plataforma lançada nesta segunda-feira (16) pelo Conselho Federal de Engenharia e Agronomia avalia condições dos 27 estados brasileiros em seis dimensões e 67 indicadores.

A ausência de mapeamento da infraestrutura local pode levar à falta de investimentos necessários para o crescimento econômico e melhoria na qualidade de vida da população. Um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento mostrou que o Brasil investe apenas 2% de seu PIB em infraestrutura, quando seriam necessários pelo menos 4,5% do Produto Interno Bruto em aplicação no setor.

Na Bahia, o novo Índice Confea de Infraestrutura mostra que o estado alcança 47,86 pontos e ocupa a 14ª posição nacional, evidenciando desafios em áreas como saneamento, mobilidade e meio ambiente. Em paralelo, o relatório de “Revisão da Integridade da OCDE sobre o Brasil 2025” apontou a falta de transparência relacionada ao tema como um dos gargalos para o crescimento.

Ampliar o investimento de forma eficiente, porém, exige diagnóstico e informação qualificada sobre a realidade de cada território, o que significa saber onde estão os maiores problemas, quais estados têm mais urgência e quais segmentos oferecem maior retorno social e econômico.

Para atender a essa necessidade, o Conselho Federal de Engenharia e Agronomia desenvolveu o Infra-BR – Índice Confea de Infraestrutura do Brasil. A plataforma, de acesso público e gratuito, reúne dados sobre as 27 unidades da federação em uma escala de 0 a 100, organizados em seis dimensões, 20 componentes e 67 indicadores. O índice, elaborado em parceria com a mesma equipe que desenvolveu o IPS-Brasil (Índice de Progresso Social) e seguindo metodologia semelhante à utilizada pela American Society of Civil Engineers (ASCE), permite que os estados sejam classificados em notas que relacionam o que já foi feito com o que ainda precisa ser realizado para alcançar melhores resultados. Esse mapeamento cria ferramentas que possibilitam aos gestores saber em quais áreas destinar mais recursos.

“A infraestrutura é um desafio para o desenvolvimento brasileiro, mas o maior obstáculo é identificar onde aplicar os recursos, em qual estado e em qual segmento. Com esses indicadores, será possível distinguir o que é urgente do que pode ser planejado, fortalecendo a lógica de priorização baseada em evidências”, afirma o presidente do Confea, Vinicius Marchese.

“O índice desenvolvido pelo Confea, portanto, pode ser um importante instrumento para a tomada de decisão por parte das lideranças políticas e dos administradores públicos”, complementa.

O mapa mostra que a diferença entre regiões e estados puxa a média nacional para baixo. De um lado, o Distrito Federal, com 74,67 pontos. Do outro, o Acre, com apenas 28,46. Enquanto isso, dos oito estados com nota acima da média nacional, seis pertencem ao Sul e Sudeste. No extremo oposto, cinco dos sete estados com as piores notas estão na região Norte.

No Nordeste, o saneamento básico se destaca como o maior gargalo: Pernambuco registra 31,02 pontos nessa dimensão, o Maranhão, 18,85, e o Acre — pior colocado geral — chega a apenas 11,28 pontos em saneamento. Para efeito de comparação, o Paraná marcou 76,29 na mesma dimensão, enquanto o Distrito Federal chega a 80,19.

Infraestrutura na Bahia

Na Bahia, o índice geral alcança 47,86 pontos, colocando o estado na 14ª posição entre as 27 unidades da federação. O detalhamento por dimensões revela contrastes importantes. A melhor avaliação aparece em Água, com 66,24 pontos, seguida de Energia e Conectividade, com 54,92 pontos. Já áreas estruturais para o desenvolvimento regional apresentam resultados mais baixos, como Mobilidade (45,89), Bem-Estar Social e Cidadania (46,12) e Saneamento Básico (39,74). O pior desempenho está em Meio Ambiente e Resiliência, com 34,24 pontos, indicador que considera aspectos como adaptação climática e conservação ambiental.

A Bahia é o maior estado do Nordeste em extensão territorial e possui desafios estruturais importantes relacionados à conectividade logística, saneamento e adaptação climática.

Para o presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Bahia, Joseval Carqueija, o índice representa uma ferramenta estratégica para orientar investimentos e planejamento no estado. “O estado tem realidades muito distintas entre suas regiões. Ter um diagnóstico estruturado como o Infra-BR permite identificar com mais precisão onde estão os principais gargalos e quais investimentos precisam ser priorizados para ampliar o desenvolvimento e melhorar a qualidade de vida da população”, afirma.

Carqueija destaca ainda que o acesso público aos dados pode contribuir para qualificar o debate sobre infraestrutura no estado. “Quando gestores públicos, profissionais da engenharia e a sociedade passam a ter acesso a indicadores claros e comparáveis, as decisões deixam de ser baseadas apenas em percepções e passam a se apoiar em evidências. Isso fortalece o planejamento e aumenta a eficiência das políticas públicas”, completa.

Os indicadores podem ser utilizados para transformar políticas de Estado e modernizar a gestão com informações padronizadas e atualizadas ano a ano. Ao identificar vulnerabilidades territoriais, os apontamentos também permitem levar em consideração ações de combate aos riscos climáticos e à ineficiência operacional. Além disso, servem à população para que os moradores acompanhem e saibam quais são os desafios locais e regionais.

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