Jovens aprendizes do Parque Social participam de intercâmbio em São Paulo

Seis egressos do projeto Jovem Aprendiz Empreendedor, desenvolvido pelo Parque Social, em parceria com a Secretaria de Gestão (Semge), participaram na última semana de um intercâmbio na capital paulista. A viagem, a oportunidade de aprendizado e as demais experiências foram conquistadas a partir do desempenho do sexteto ao longo do projeto, entre os 600 alunos que foram beneficiados pela iniciativa.

Durante a viagem, foi estruturado um roteiro pedagógico intencional, integrando visitas técnicas e momentos de reflexão, com foco em potencializar o aprendizado. Cada atividade foi pensada não apenas como visita, mas como uma experiência formativa, estimulando a curiosidade, o pensamento crítico e a conexão com os conteúdos trabalhados no programa. O roteiro incluiu visitas ao Museu Catavento, ao Centro de Inovação da Universidade de São Paulo (Inova USP), à faculdade São Paulo Tech School e à Japan House, além do Parque Ibirapuera e da Casa do Cooperativismo de São Paulo.

Com idades entre 17 e 22 anos, os estudantes Brena de Carvalho, Yasmin Barreto, Mirela de Almeida, Gabriel Albino, Evelyn Silva e Diana Almeida se destacaram durante as formações teóricas e práticas, em 18 meses de capacitação do Jovem Aprendiz Empreendedor.

Katharina Pinheiro, coordenadora do projeto, explica que o intercâmbio se consolidou como uma estratégia formativa de alto impacto. “Antes da viagem, os jovens vinham sendo preparados ao longo de toda a trajetória, com foco no desenvolvimento de competências socioemocionais, senso de responsabilidade, protagonismo e desempenho, critérios que fundamentaram a seleção para a premiação.”

A gestora reforça que a vivência prática proporcionada pelo intercâmbio ampliou significativamente esse repertório construído ao longo do projeto. “O contato direto com ambientes de inovação, tecnologia, cultura e modelos colaborativos permitiu que eles conectassem teoria e prática, compreendessem novas possibilidades de carreira e ampliassem sua visão de mundo.”

Ainda para Katharina, os seis selecionados retornaram com uma visão mais estruturada sobre suas trajetórias profissionais e seu papel na sociedade.

“Todo o processo foi cuidadosamente estruturado para garantir que os jovens não apenas participassem do intercâmbio, mas que extraíssem o máximo de aprendizado da experiência. Antes da viagem, foi realizada uma reunião preparatória com eles, com o objetivo de orientá-los sobre a programação, alinhar expectativas, trabalhar aspectos comportamentais e prepará-los para uma vivência formativa fora do seu contexto habitual”, destaca a gestora.

Experiência – Para os participantes, a experiência foi transformadora. A estudante Brena de Carvalho relatou surpresa ao ser escolhida e destacou o aprendizado adquirido durante as visitas e interações ao longo do intercâmbio.

No dia da formatura, havia 600 jovens do projeto Jovem Aprendiz Empreendedor, e tive a honra de ser uma das seis jovens selecionadas para o intercâmbio. Foi ali que tudo começou. Fiquei completamente surpresa, não estava esperando que seria selecionada; estava passando por uma fase emocional difícil, mas deu tudo tão certo. Me senti reconhecida e realizada profissionalmente. Em São Paulo, tive o prazer de conhecer pessoas incríveis e fazer conexões nesse intercâmbio. Durante este período, fizemos visitas a empresas startups, inovação e tecnologia, assim como também fomos a museus e apreciamos obras excepcionais de autores nacionais”, relatou.


O colega dela, Gabriel Albino, lembrou que, inicialmente, os selecionados passaram por orientações sobre a programação da viagem, conhecendo os objetivos das atividades que seriam realizadas na capital paulista.


“Outro ponto essencial foi o preparo emocional e o controle da ansiedade, já que essa seria a primeira viagem de avião de todos do grupo. Ao longo do intercâmbio, foram adquiridos conhecimentos técnicos específicos muito importantes. Por exemplo, durante a visita à Universidade de São Paulo (USP), tivemos a oportunidade de assistir a uma aula sobre eficiência energética, além de conhecer de perto a estrutura e os equipamentos utilizados no local, o que ampliou nossa visão sobre as possibilidades dentro da área profissional, principalmente de áreas relacionadas à tecnologia”, disse Albino.

Potencial – A coordenadora do Steam Lab do Inova USP, Roseli Lopes, falou da importância de receber o grupo de alunos do Parque Social, jovens que se destacaram entre mais de 600 participantes. Ela ressalta que a experiência foi “extremamente enriquecedora”, principalmente por compartilhar o espaço com estudantes “dedicados e cheios de potencial”. 

“Acredito que a USP, aos poucos, vem se abrindo e se fortalecendo como uma ponte entre a universidade e diferentes realidades sociais, ampliando oportunidades e promovendo conexões que realmente transformam vidas. Foi especialmente marcante ver que os alunos destaques são jovens negros ocupando com mérito um espaço que historicamente lhes foi negado. Sabemos que essa ausência em ambientes como a engenharia não é reflexo de falta de capacidade, mas de um contexto histórico de desigualdade que ainda deixa marcas profundas. Momentos como esse mostram que esse cenário está mudando”, assegurou Roseli.

Leia também

Em destaque