Mostra de quilts, intervenções artísticas e ações comunitárias integram programação da tradicional procissão marítima em Cacupé e Sambaqui, nos dias 01 e 02 de fevereiro
Florianópolis recebe, nos dias 01 e 02 de fevereiro de 2026, o projeto “Navegando com o Cortejo – Exposição de Quilts e Cortejo de Nossa Senhora dos Navegantes/Iemanjá”, uma iniciativa do Floripa Quilt – Festival de Patchwork, Arte Têxtil & Boneca de Pano, que propõe unir arte têxtil contemporânea, tradição açoriana, religiosidade popular e mobilização comunitária.
A ação tem como ponto central a realização de uma exposição nacional itinerante de quilts em pequeno formato e intervenções artísticas inspiradas no mar, na fé, nas travessias e na relação das comunidades com as águas. Além do apoio artístico e cultural ao Cortejo de Nossa Senhora dos Navegantes/Iemanjá, uma das manifestações mais tradicionais da capital catarinense.
O Cortejo de Nossa Senhora Aparecida/Iemanjá será no domingo, dia 01 de fevereiro, com concentração no Rancho dos Pescadores de Sambaqui, às 7h, para dali partir com destino a Cacupé, às 7h30, onde as 18 embarcações confirmadas saem para fazer o trajeto ao mar. Na segunda-feira, 02 de fevereiro, às 19h, a exposição “Navegando com o Cortejo – Exposição de Quilts e outras intervenções artísticas abre para visitação gratuita no Casarão da Associação do Bairro de Sambaqui (ABS), e permanece em cartaz até 28 de fevereiro.
Projeto nasce de vivência pessoal e desejo de preservar a tradição
A idealização do projeto parte da trajetória de Janaína Machado Cordeiro, à frente do Floripa Quilt, nascida e criada no bairro de Sambaqui. A procissão sempre fez parte de sua história familiar, especialmente ligada à memória do pai, à pesca artesanal e à forte tradição de Nossa Senhora dos Navegantes/Iemanjá em Cacupé, Sambaqui e Santo Antônio de Lisboa.
“Essa festa sempre foi muito viva para mim. Depois que meu pai faleceu, a data passou a ter um significado ainda mais profundo. Mas, nos últimos anos, ver a diminuição do envolvimento dos pescadores e da própria comunidade me tocou muito. Em 2025, ao ver a procissão passar quase sem barcos e sem enfeites, senti que algo precioso estava se perdendo. O projeto nasce desse sentimento: de cuidado, de memória e de mobilização”, afirma Janaína.
Arte têxtil como extensão simbólica do cortejo
A exposição “Navegando com o Cortejo” reúne trabalhos de artistas têxteis de diversas regiões do Brasil, criando um panorama sensível e poético sobre o universo marítimo, a devoção, o sincretismo religioso e as travessias humanas.
Mais do que uma mostra artística, a proposta atua como um braço cultural da própria festa, fortalecendo a celebração já realizada historicamente pelas comunidades de Cacupé, Sambaqui, Santo Antônio de Lisboa, João Paulo e entorno, sempre respeitando o protagonismo comunitário e religioso.
No contexto do sincretismo brasileiro, o projeto também reconhece a associação entre Nossa Senhora dos Navegantes e Iemanjá, ampliando o diálogo simbólico entre fé, cultura popular e arte contemporânea.
Mobilização comunitária e apoio aos pescadores
Além da exposição, o projeto promoveu ações diretas junto à comunidade de Sambaqui, incluindo cinco oficinas comunitárias durante o mês de janeiro, para confecção coletiva de bandeirolas, adereços e planejamento do cortejo.
Artistas visuais convidados, como Juliana Hoffmann, e criadores locais participam das intervenções nas embarcações, contribuindo para a ornamentação dos barcos e para a valorização estética da procissão marítima. No sábado, 31 de janeiro, a partir das 15h, será realizada a decoração dos 18 barcos confirmados para a procissão, no Rancho dos Pescadores. O evento é aberto para quem quiser participar.




