Feira de Santana vive um momento de expansão. Com posição estratégica, o município se consolida como o maior entreposto comercial do Nordeste e um polo regional que abastece mais de 154 cidades em educação, saúde, serviços e comércio. Agora, a cidade se move para um novo patamar de competitividade. Para entender esse cenário, conversamos com Marcia Ferreira, Secretária Municipal de Trabalho, Turismo e Desenvolvimento Econômico.
Sacada: Feira sempre teve forte vocação econômica. Qual é o eixo que melhor traduz essa identidade?
Marcia Ferreira: Nossa cidade é cortada por três BRs e quatro BAs, o que nos tornou um ponto de distribuição muito dinâmico. O setor que mais movimenta a economia da cidade hoje é o de serviços/ comércio. Tivemos períodos de crescimento econômico marcados pela pecuária, pela indústria nos anos 70, o Polo Industrial que é super importante até hoje.
S: Quando pensamos nos pilares históricos do desenvolvimento, quais setores se destacam e quais surgem como novas forças econômicas?
MF: Historicamente, sempre foi o comércio/serviços. Hoje, saúde, educação e logística são as três áreas que mais crescem no município.
S: Entre todos os segmentos, qual é o maior gerador de empregos formais na cidade?
MF: O setor público, municipal e estadual, ainda é um dos maiores empregadores. A indústria também tem peso importante, mas o setor de serviços/comércio é o que mais emprega atualmente.
S: Quais setores apresentam maior potencial de expansão em geração de vagas?
MF: Educação e saúde continuarão sendo nossos motores. Feira é polo comercial e de serviços para mais de 154 cidades e, por lei, integra uma região metropolitana com oito municípios. Temos 33 instituições de ensino superior, públicas e privadas, incluindo uma ampla rede de cursos técnicos. Tudo isso nos projeta para 2035 e 2050 como referência no Nordeste.
S: Os números recentes apontam crescimento na abertura de empresas. O que explica esse avanço?
MF: O município adotou políticas públicas para o crescimento econômico da cidade: benefícios fiscais, isenções e atrativos estruturais. Um exemplo é o pacote de incentivos feito pelo prefeito José Ronaldo, para empresas que se instalam no CIS Norte, na área industrial.
S: A construção civil tem papel cada vez maior na economia local. O que impulsiona esse desempenho?
MF: As empresas de construção civil em Feira são altamente capacitadas e competitivas com alta performance em inovação e tecnologia. É um setor que puxa investimentos, abastece a cadeia de serviços e movimenta o mercado imobiliário.
S: O que a Secretaria tem feito para fortalecer e apoiar o empreendedor?
MF: Implantamos seis projetos, sendo dois em parceria com o SEBRAE, a Sala do Empreendedor e a Casa do Trabalhador. Firmamos convênio com o Credibahia (Desenbahia) e o Crediamigo (BNB), oferecendo microcrédito a novos microempreendedores. Nosso departamento de indústria, comércio e serviços acompanha empresas no processo de instalação, ampliação e regularização.
S: Existe um trabalho de prospecção para atrair investimentos externos?
MF: Sim. O departamento de Indústria, Comércio e Serviço funciona também como uma agência de desenvolvimento. A diretoria participa de feiras nacionais e internacionais e busca constantemente novos ecossistemas, com inovação e sustentabilidade.
S: Como está a negociação com a BYD?
MF: O prefeito José Ronaldo tem conduzido pessoalmente o diálogo com o Estado. As tratativas estão avançadas.
S: Como está funcionando a nova concepção do CIS Norte?
MF: Feira de Santana conta com três núcleos industriais: o do Tomba, já estrangulado e com entraves jurídicos; o da BR-324 e o CIS Norte. A área mapeada no CIS Norte ultrapassa 4 milhões de m² e, com parceria do Governo do Estado, pode se tornar área pública para receber empresas interessadas. A prefeitura já implementou incentivos fiscais que dizem respeito ao IPTU e ISS da construção, e quer levar projetos como de infraestrutura, gás natural, energia, abastecimento de água, saneamento e vias pavimentadas.
S: Feira tem potencial para se tornar um polo de inovação?
MF: Sim. Nossa proposta para 2026 é fortalecer a inovação empresarial, não apenas tecnológica, oferecendo suporte direto às empresas. Temos um projeto de polo tecnológico já pronto e em análise pelo Senai Cimatec, que pode ser implantado por investidores sem necessidade de aprovação legislativa, ampliando o apoio a startups.
S: Qual a sua visão para Feira de Santana nos próximos 5 a 10 anos em termos de desenvolvimento econômico?
MF: Vejo Feira de Santana crescendo de forma planejada e organizada, especialmente com um desenvolvimento urbano mais verticalizado, que repercutem em áreas como segurança, saneamento, educação e saúde pública.
S: Feira de Santana tem uma vocação muito forte para o turismo de negócios. Quais iniciativas a cidade tem adotado para esse segmento?
MF: Feira já possui players turísticos muito avançadas: são mais de 5 mil leitos em hotéis, além de uma rede de restaurantes, bares e uma mobilidade urbana eficiente. Nosso desafio agora é ampliar o turismo de negócios para integrar também o lazer.




