Marcelo Alexandrino destaca Feira de Santana no cenário de negócios e eventos

Feira de Santana se consolida como uma cidade referência no Nordeste, destacando-se como polo de negócios e protagonista entre os municípios vizinhos. Com potencial para se destacar também como um destino competitivo para o turismo de negócios, a cidade deu um passo importante com a entrega de um novo equipamento: o Centro de Convenções. Para entender melhor esse cenário e o potencial econômico local, conversamos com Marcelo Alexandrino, presidente do Convention & Visitors Bureau de Feira de Santana, vice-presidente do Instituto Pensar Feira, ex-presidente da Associação Comercial e Empresarial (ACEFS) e empresário do setor hoteleiro, à frente do Grupo Acalanto.  

Sacada – O que é o Convention Bureau e qual o seu papel para Feira de Santana?

Marcelo Alexandrino – O Convention Bureau é uma instituição privada de negócios voltada para captação de grandes eventos para a cidade. Nosso objetivo é atrair congressos, feiras e encontros profissionais que fortaleçam o setor. Participamos de congressos, já estivemos no Salão do Turismo e, este ano, marcamos presença no Festuris 2025, o maior evento de negócios turísticos das Américas.  

Nós levamos o potencial de Feira de Santana para a vitrine nacional e internacional. Junto ao nosso vice presidente Getúlio Andrade, que é também o presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares, do qual sou vice-presidente, seguimos ampliando conexões e atraindo novas parcerias estratégicas. Buscamos ajudar empresas que podem promover esses grandes eventos, para gerar negócios em todo o trade turístico. 

S – Qual a importância do Centro de Convenções nesse contexto?

MA –  O turismo de negócios mexe com toda a cadeia produtiva. Com o Centro de Convenções, nós finalmente temos um equipamento capaz de apresentar Feira de Santana para o país e atrair grandes eventos. E quando um congresso chega aqui, ele não movimenta apenas hotéis e restaurantes, mas ativa dezenas de setores. São passagens aéreas emitidas, locação de veículos, uso de táxi e transporte por aplicativo, refeições fora do hotel, compras no comércio, visitas ao shopping e até passeios culturais. 

Muitos participantes vêm acompanhados, e essas pessoas também consomem na cidade. Além disso, envolve agências locais, bares, fornecedores de eventos e toda a estrutura turística. Um único evento é capaz de movimentar centenas ou até milhares de pessoas e uma ampla rede de serviços, consolidando o turismo como uma das maiores forças econômicas do mundo. E Feira tem potencial para se destacar cada vez mais nesse cenário.

S – Você também lidera o maior grupo hoteleiro da cidade, com os hotéis Atmosfera, Classe Apart, Acalanto e Único. Qual é o perfil dos hóspedes que vêm para Feira de Santana?

MA – A grande predominância dos nossos hóspedes vêm para trabalhar: são representantes comerciais, consultores industriais, equipes técnicas, profissionais da saúde, diretores e até estrangeiros de indústrias instaladas aqui. É um fluxo contínuo que mostra como Feira é, de fato, uma cidade polo. Também temos o turismo de eventos, que cresce a cada ano. 

No São João, grandes bandas usam Feira como base porque aqui encontram a melhor estrutura hoteleira da região. Isso mostra a força da cidade na prática. E à medida que ampliamos o turismo de eventos, especialmente agora com o Centro de Convenções, esse movimento tende a crescer ainda mais. O turismo de negócios é hoje uma das maiores engrenagens da economia local, e a hotelaria sente isso em todos os níveis.

S – Você foi presidente da ACEFS e conhece profundamente a economia local. Como enxerga o potencial de Feira e quais são os principais desafios para que esse desenvolvimento continue?

MA – Eu não falaria em potencial, eu diria que Feira já é uma realidade. Temos uma economia forte e somos cidade polo em vários setores. Mas, para avançar, precisamos fortalecer principalmente a nossa vocação logística, tornando aqui um polo logístico de verdade. Hoje, dependemos quase exclusivamente do modal rodoviário; é preciso desenvolver os modais ferroviário e aeroviário. Quanto ao marítimo, claro, estamos distantes, mas estamos a 100km do Porto. Podemos ter aqui uma EADI, que é uma estação aduaneira no interior, um verdadeiro porto seco. 

Temos uma localização estratégica e é preciso modernizar nossas vias de acesso. Todas as entradas da cidade precisam ser duplicadas. Sem isso, corremos risco de perder o fluxo, especialmente com obras como a ponte Salvador–Itaparica. São avanços que fortalecem a economia, atraem eventos e poderão consolidar de vez Feira como um dos grandes polos do país.

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