Uma trajetória que coloca sensibilidade, conhecimento e propósito no centro da construção de novos caminhos
Em um setor frequentemente resumido a números, negociações e metros quadrados, Janeide Xavier decidiu seguir na contramão. Empresária do mercado imobiliário em Feira de Santana, ela tem construído uma trajetória que une conhecimento técnico e um propósito que parece guiar cada uma de suas escolhas: humanizar as relações dentro de um ambiente historicamente marcado pela impessoalidade.
A própria origem de Janeide ajuda a compreender essa visão. “Eu só estou aqui porque eu estudei para estar aqui. De onde eu vim, eu era considerada improvável”, afirma. A educação, segundo ela, foi a ferramenta que lhe permitiu construir uma carreira que, hoje, ultrapassa a venda de imóveis. Seu discurso sempre traz referências à sensibilidade humana. “A minha busca é que ocorra esse crescimento sem a gente se perder do ser humano, de quem nós somos”, destaca.
Essa postura se reflete até mesmo em sua relação com Feira de Santana, a cidade que ela adotou como sua, e para onde faz questão de voltar sempre que viaja. “A maioria das pessoas vai para outros países dizendo que não quer voltar. Eu viajo e eu volto querendo voltar”, diz. Para ela, o município, apesar das carências, tem potencial estratégico e humano para ser referência, e o diferencial é olhar para as pessoas com sensibilidade.
Tudo isso foi ganhando novas camadas ao longo dos últimos anos, especialmente com as viagens que faz em busca de atualização profissional. Este ano Janeide foi para o Japão junto com um grupo de 27 empresários brasileiros. O objetivo foi fazer parte da Feira Expo Osaka 2025, que discute o futuro das sociedades e da tecnologia, e a experiência a impactou profundamente. “O mercado imobiliário vai mudar nos próximos cinco anos mais do que nos últimos cinquenta”, relata.
Lá, ela conheceu desde robôs que interagem diretamente com visitantes até soluções de sustentabilidade e habitação que levantam uma pergunta crucial: estamos construindo hoje pensando na vida que teremos amanhã?
Para Janeide, o grande desafio brasileiro é a combinação entre déficit de moradia, falta de mão de obra qualificada e ausência de interesse das novas gerações em profissões ligadas à construção civil. “Os pedreiros bons são velhos. E hoje nenhum pai diz que o filho vai ser pedreiro”, observa. Daí surge, mais uma vez, a defesa de um olhar mais humano e integrado, capaz de ressignificar o setor e atrair novas mentalidades.
“Como que a gente vai ter tecnologia dentro de casa se a construção não acompanha isso?”, questiona. Ela acredita que a nova geração tem tudo para se dar bem com a tecnologia, mas precisa unir esse potencial a um olhar humano, e é isso que ela busca.”
Já estou desenvolvendo projetos em Bento Gonçalves e Gramado, no Rio Grande do Sul, pensando o imóvel do tijolo até o ponto de venda, de forma tecnológica e humanizada, para entender quem vai morar ali, o que essa pessoa gosta e o que realmente faz sentido”, completa.
A busca constante por conhecimento também é alimentada pelo convívio com Marcos Araújo, estatístico e pesquisador reconhecido no mercado imobiliário, com quem divide aprendizados e experiências. Em 2022, ela investiu em um projeto de educação imobiliária para crianças, decisão que, segundo conta, poderia ter sido usada para comprar um carro.
Logo depois, foi convidada por Marcos para palestrar no Simm Brasil, em Campinas, congresso que reúne nomes importantes do setor no Brasil e no exterior. Ali, dividiu palco com profissionais como Augusto Cury e Romero Brito, além de conhecer empresários experientes,ampliando seu repertório e reforçando seu compromisso com a formação contínua. “Tenho clareza do que quero entregar no mercado, e isso me move todos os dias”, enfatiza.
Toda essa bagagem aparece, sobretudo, na forma como ela conduz sua imobiliária. Sua missão é repetida por ela como um mantra: evitar transações imobiliárias mal-sucedidas. Isso significa não trabalhar com imóveis que tenham causado dor a alguém e participar integralmente da jornada dos clientes, do terreno à entrega final. “Aqui a gente não trabalha com metro quadrado. A gente trabalha com pessoas”, afirma.
Ao olhar para o futuro, ela resume o que a sustenta nessa caminhada: disciplina e sensibilidade. “O que me move é a busca pelo conhecimento e por fazer a diferença na vida do outro que passa pela minha vida.” Todos os dias, pergunta a si mesma como pode ser 1% melhor. Uma inquietação que, no lugar de ansiedade, produz movimento e constrói propósito. “O mercado imobiliário mudou a minha história. E por meio dele, eu quero mudar a vida de muita gente”, finaliza.

