Saiba a diferença entre arquitetura e design de interiores

Os profissionais dessas áreas podem ser diferenciados através dos limites que possuem na elaboração de um projeto

Foto: Divulgação

Por Silvana Ferraz

Numa construção, além do engenheiro e mestre de obra, dois profissionais são peças essenciais na decoração ou reforma de uma casa: o arquiteto e o designer de interiores. E apesar de existir uma certa confusão na hora de distinguir a função de cada um, existem limites de atuação que podem auxiliar na identificação do profissional adequado para atender às necessidades do cliente.

A diferença básica entre arquitetura e design de interiores é que a primeira trabalha na concepção da obra enquanto o segundo, na organização do imóvel. Partindo deste princípio, vale acrescentar que o arquiteto projeta e coordena uma construção ou reforma e, ao lado do engenheiro, acompanha a construção gerenciando os custos e mão de obra, enquanto o designer harmoniza os móveis, objetos e acessórios num determinado espaço, e administra o projeto de decoração.

Segundo Josete e Adriano Garcez do escritório Garcez Arquitetura, derrubar e construir paredes, por exemplo, não são funções do designer de interiores. “Às vezes o cliente solicita que façamos a arquitetura de interiores, uma vez que a nossa formação dá abertura a essa atuação e talvez isso cause confusão entre a atuação das duas profissões. Acreditamos que o problema esteja no fato de alguns designers desenvolverem atividades que não são da sua competência, como mexer na estrutura física do espaço, derrubando ou construindo paredes, por exemplo”, esclarecem.

Por isso, quando se trata de uma modificação que envolva aspectos civis, o profissional adequado para se contratar é o arquiteto. “A arquitetura é a arte obrigada e isso exige uma responsabilidade enorme porque nosso trabalho muda a vida das pessoas. Então, a nossa função é fazer uma triagem da necessidade do cliente, estudar com atenção todos os aspectos do espaço, elaborar um anteprojeto detalhado do espaço e do projeto e acompanhar a obra juntamente com o engenheiro, com o intuito e esclarecer as dúvidas que porventura existam no decorrer da construção”, explicam.

O profissional formado em design de interiores desenvolve projetos comerciais ou residenciais buscando soluções criativas e técnicas que melhorem a qualidade de vida das pessoas, proporcionando o bem-estar. “Um designer pode fazer o projeto luminotécnico, elétrico, detalhamento de móveis, papel de parede e decoração, mas não pode mexer na estrutura. A faculdade não nos dá suporte para isso, então, na medida em que nós somos contratados para uma reforma e surge a necessidade de mexer na estrutura, o procedimento correto é orientar o cliente a procurar um profissional de arquitetura que tem competência para isso”, afirma Cláudia Gedeão, engenheira e designer de interiores.

“O fato dos arquitetos poderem atuar na arquitetura de interiores não quer dizer que este profissional possa assumir a função de um designer. Há todo um estudo, todo um preparo que nem se o arquiteto quisesse teria tempo para pensar em todo o detalhamento da decoração de ambientes. Acredito que há espaço para as duas áreas de atuação. Hoje, por exemplo, já existem muitas parcerias estabelecidas entre arquitetos e designers para atender ao mercado de Feira de Santana e região e isso é muito bom”, observa.

Para evitar que profissionais sejam contratados de forma equivocada é importante ressaltar que o designer é habilitado para atuar auxiliando o arquiteto a resolver os espaços da edificação através dos seus projetos, pois possui conhecimento técnico para realizar o trabalho de decoração do ambiente, enquanto o arquiteto inicia o seu trabalho desde a escolha do terreno para a construção, implantando um projeto com parecer sobre a localização, legislações idílicas e urbanas, aspectos ambientais e topográficos, acompanhamento da obra, entre outros. De acordo com Josete e Adriano Garcez uma característica que marca a diferença entre as duas profissões é que “o designer é mais detalhista em seus projetos enquanto os arquitetos projetam ambientes mais limpos”, conclui.

Matéria publicada na versão impressa da revista Sacada.

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