Um projeto luminotécnico bem dimensionado e dinâmico é atrativo certo para o público consumidor em centros comerciais
por Isa Rios,
Arquiteta e Lighting Designer
Os centros comerciais brasileiros estão cada vez mais investindo na arquitetura e no design como estratégias de marketing para atrair o público consumidor. Isso porque os shoppings centers deixaram de ser apenas locais para se fazer compras, para se tornarem espaços de convivência, lazer e cultura. Para tanto, um dos artifícios já adotados por muitas empresas é a exploração da luz, que “bem projetada, destaca os produtos, desperta a atenção, estimula o desejo, por meio da forma, da textura e da cor e, assim, vende o produto”, explica o diretor técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Iluminação (Abilux), Isac Roizemblatt. Dessa maneira, as pessoas se sentem mais confortáveis, passam mais tempo nos estabelecimentos e consomem mais.
Segundo Flávia Lima*, a indústria de shopping centers é altamente lucrativa e grande geradora de empregos. Temos no país 495 shoppings (dados oficiais de 2013 de shoppings estabelecidos), que juntos faturam R$129 bilhões. Dados da Associação Brasileira de Shoppings Centers (Abrasce) revelam que essa indústria gera aproximadamente 470 mil empregos por mês e recebe, em média, 415 milhões de visitas mensais. Essa afluência vem estimulando empresários a apelarem para a criatividade dos arquitetos e luminotécnicos, que apostam na iluminação dinâmica para conquistar o consumidor.
A luz é o único elemento dinâmico de um projeto que pode ocupar o espaço sem obstruí-lo. Assim, pode e deve ser manipulada constantemente para provocar diferentes sensações nas pessoas. As iluminações técnica e decorativa têm a função de guiar, enquanto a temática e a cênica têm a função de contemplação e indução. A junção delas traz a dramaticidade, uma característica já bastante explorada em outros países. É o caso da iluminação cênica automatizada dos grandes parques internacionais temáticos, como Walt Disney e Universal Studios, além de outros espaços, como bares, restaurantes, hotéis e shoppings.
A tendência internacional é empregar uma iluminação mais suave e dramática, com utilização de cor e movimento. Aqui no Brasil ainda se usa muita iluminação direta. Os shoppings são super iluminados, com pontos de luz intensos. A iluminação com uma luz mais branda que acentua alguns elementos, como acontece nas lojas de alto padrão dos grandes centros urbanos, valoriza produtos e o próprio empreendimento.
Um projeto luminotécnico bem dimensionado e dinâmico é atrativo certo para o público consumidor em centros comerciais.
Na hora de iluminar estabelecimentos comerciais, há ainda que se considerar o conforto visual dos funcionários; mas isso já é um outro tópico do tema!
Matéria publicada na versão impressa da revista Sacada.