Menopausa impacta cérebro, coração, metabolismo e exige nova abordagem médica.

Especialista em Salvador alerta para impactos pouco discutidos e defende cuidado mais integrado na saúde da mulher.

Cansaço constante, dificuldade de concentração, ganho de peso e noites mal dormidas têm se tornado queixas frequentes entre mulheres a partir dos 40 anos. O que muitas ainda não percebem é que esses sinais podem estar ligados à menopausa e não apenas ao estresse ou à rotina.

Dra. Patrícia Sanches, médica ginecologista, que participou recentemente do Women’s Health and Menopause (WHAM), programa da Harvard Medical School voltado à saúde da mulher, destaca que esse é um dos principais avanços na forma de enxergar o climatério.

“A gente deixou de olhar para a menopausa como um evento pontual e passou a entender que ela interfere no corpo inteiro. Hoje sabemos que há impacto direto na memória, no foco, no metabolismo e na saúde cardiovascular”, afirma.

O ganho de peso é outro ponto comum e, muitas vezes, motivo de frustração. “Muitas mulheres mudam alimentação, fazem exercício e ainda assim têm dificuldade de perder peso, sem entender que há uma mudança metabólica acontecendo”, destaca.

Para a médica, um dos principais desafios ainda é a desinformação. “Elas chegam ao consultório com medo ou com informações superficiais. A medicina evoluiu e hoje conseguimos oferecer abordagens mais seguras e individualizadas”, afirma Dra. Patrícia Sanches.

Apesar dos sintomas físicos e emocionais causados pela menopausa, pesquisas recentes mostram quem 44% das brasileiras não realizam nenhum tipo de tratamento para a condição, enquanto 79% relatam sentimentos negativos como ansiedade e depressão, evidenciando o estigma e a falta de informação.

Para a especialista, compreender as mudanças do corpo é o primeiro passo. “Com informação e acompanhamento adequado, a mulher passa a cuidar da saúde de forma mais consciente, com tratamentos eficazes e personalizados que melhoram a qualidade de vida” completa.

Ela reforça que o cuidado com a saúde após os 40 anos precisa ganhar mais espaço, inclusive no debate público. “A menopausa não é o fim. É uma fase que precisa ser acompanhada com mais atenção, mais ciência e mais sensibilidade”, conclui.

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