Setor busca redefinir o papel da iluminação na construção de projetos eficientes, inclusivos e de integração com tecnologias de cidades inteligentes
A modernização do parque de iluminação pública (IP) segue avançando no país. Segundo o Panorama da Participação Privada na Iluminação Pública 2025, da ABCIP, o Brasil possui 146 contratos, por meio das Parcerias Público-Privadas (PPPs), no valor total de R$ 32 bilhões em investimentos, contemplando 173 municípios e 57 milhões de pessoas. O cenário positivo é marcado por oportunidades e também desafios que vão além da eficiência energética.
No que tange à inovação, alguns projetos visam mais do que substituição de luminárias públicas, mas também a inclusão de recursos de monitoramento, conectividade e transmissão de dados. De acordo com publicação do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional, os projetos de concessão e PPPs com características de smart cities (cidades inteligentes) são a maioria dos candidatos ao financiamento do Fundo de Desenvolvimento de Infraestrutura Regional (FDIRS).
“Os gestores públicos têm diante de si uma grande oportunidade: deixar de olhar a IP apenas como quantidade de luz com tecnologia moderna e considerar o impacto da luz na vida. Basta observar, inclusive, a atualização da NBR 5101 que ocorreu em 2024 e o que ela traz sobre zonas residenciais: não se deve utilizar luz “branca” (temperatura de cor neutra ou fria), mas luz com temperatura de cor quente, dados os efeitos da luz para as pessoas e os animais”, opina Cristhian Furquim, arquiteto e urbanista especialista em iluminação e acústica, professor de pós-graduação e MBAs e embaixador da edição 2026 da Expolux – Feira Internacional da Indústria da Iluminação.
A capacitação é, portanto, um dos desafios do atual momento do setor, segundo o profissional. “Com a modernização da iluminação pública, o trabalho deixa de estar restrito ao tradicional campo da elétrica e passa a exigir também conhecimentos de eletrônica, no mínimo. Essa é uma mudança importante, porque envolve uma série de particularidades que, muitas vezes, escapam à formação básica de instaladores experientes em sistemas convencionais, como os de lâmpadas incandescentes ou de descarga”, explica.
O especialista ainda esclarece que não se trata, portanto, de substituir uma tecnologia por outra. É uma mudança que exige nova capacitação, atualização de conhecimentos e domínio de conceitos que vão além das conexões elétricas.
Desafios estruturais
Infraestrutura e investimentos também se apresentam como desafios a serem enfrentados pelas gestões públicas, concessões e PPPs – problema que atinge não somente o Brasil, mas diferentes partes do mundo. O relatório Traking SDG7: The Energy Progress Report 2025, que acompanha a evolução na distribuição de eletricidade, mostra que, em 2023, 666 milhões de pessoas no planeta ainda não tinham acesso à energia elétrica e que 84% desse contingente, formado por populações que moram em áreas rurais.
No país, um dos exemplos, é a região da Amazônia Legal. O Relatório do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) 2024 aponta que cerca de 1 milhão de pessoas não têm acesso à eletricidade, situação que atinge 11,6 mil estabelecimentos agropecuários no Amazonas, conforme consta no levantamento. Considerando, os objetivos de acesso universal à energia, uma das diretrizes da ONU para 2030, esse é um problema que está diretamente relacionado à desigualdade social e à dificuldade de investimentos de algumas regiões.
Diante desse cenário de avanços e desafios, neste ano, profissionais do setor, representantes de empresas expositoras e gestores públicos têm a oportunidade de se reunir para debater soluções concretas para esses temas de IP. Isso porque a edição 2026 da Expolux, feira referência na América Latina, disponibilizará pela primeira vez uma área exclusiva de negócios para IP — o Lounge VIP. O objetivo é reforçar a conexão entre protagonistas das áreas pública e privada, promover diálogos qualificados e ampliar as possibilidades de parcerias.
O evento também disponibilizará o Corredor de Iluminação Pública, atração que destacará tecnologias de IP, como recursos de telegestão, sistemas de conectividade e transmissão de informações, além de palestras e painéis sobre estudos técnicos, normas, projetos realizados e soluções inovadoras. “Um dos diferenciais do evento é a oferta de experiências sensoriais, que são ferramentas extremamente eficazes para educar profissionais, gestores públicos e autoridades responsáveis por decisões de investimento e especificação”, acrescenta o arquiteto.
Por acontecer em ano eleitoral e, diante das mudanças da nova Reforma Tributária, o evento, que tem organização da RX, se torna ainda mais estratégico para conhecer resultados e os próximos rumos das concessões e PPPs.
A Expolux acontecerá de 15 a 18 de setembro, no Expo Center Norte, em São Paulo. Deverão participar mais de 20 mil visitantes qualificados e de 400 empresas nacionais e internacionais além das associações do setor de iluminação.


