Mestre por trás da restauração dos vitrais de Notre-Dame vem ao Brasil propor uma nova leitura para a arquitetura

Jean Mône, vitralista francês responsável por obras icônicas como a Catedral de Notre-Dame e a cúpula da Galeries Lafayette, desembarca no país para dialogar com arquitetos sobre o uso da luz como elemento estrutural, não decorativo

Reprodução: Acervo pessoal

A forma como a luz é tratada dentro da arquitetura pode estar passando por uma virada silenciosa e o Brasil entra nesse radar. Na última semana de abril, o mestre vidraceiro francês Jean Mône, à frente do ateliê Vitrail Saint-Georges (fundado em 1852), vem ao país com uma proposta que desloca o vidro e o vitral do lugar ornamental para o centro do projeto arquitetônico. Responsável por trabalhos emblemáticos como a restauração dos vitrais da Catedral de Notre-Dame de Paris e da cúpula da Galeries Lafayette, ele defende uma abordagem em que a luz deixa de ser efeito e passa a ser matéria construtiva.

“Em muitos lugares, a luz ainda é tratada como um dado técnico. No Brasil, ela me parece quase uma presença cultural, que interfere no humor do espaço e na forma de habitar. E é exatamente aí que o meu trabalho começa”, afirma.

Por meio da ON/ME, sua frente de criação contemporânea, Jean desenvolve divisórias luminosas sob medida que atuam como elementos arquitetônicos, estruturando ambientes, filtrando a luz natural intensa e equilibrando transparência e privacidade.

Reprodução: Acervo pessoal

A proposta ganha ainda mais força no contexto brasileiro, onde a arquitetura valoriza a integração entre interior e exterior e a abundância de luz natural. Segundo ele, existe também uma conexão histórica pouco explorada: no século XIX, muitos vitrais de igrejas brasileiras foram produzidos na França, revelando uma troca cultural que agora pode ser retomada sob uma linguagem contemporânea.

“Não se trata de repetir o passado, mas de continuar esse diálogo de forma viva, ao lado de arquitetos e designers que estão pensando os espaços de hoje.”

A passagem de Jean Mône pelo Brasil não é apenas uma agenda institucional, mas parte de uma estratégia estruturada de entrada no mercado brasileiro. A operação é conduzida pela Intrust Associates, empresa especializada em internacionalização de negócios, que atua como ponte entre marcas globais e o mercado local, desde a adaptação da proposta ao contexto brasileiro até a estruturação e gestão da operação no país.

No caso da ON/ME, isso se traduz na introdução de uma abordagem que propõe repensar o papel da luz desde as etapas iniciais do projeto, como um elemento estruturante, no mesmo nível de paredes, aberturas e circulações.

Leia também

Em destaque