O novo design de interiores quer ser sentido

Depois de anos de interiores dominados pelo visual, projetos contemporâneos passam a criar ambientes que provocam sensações

Uma casa pode ser bonita à primeira vista, mas é na experiência de permanecer nela que um projeto revela sua verdadeira força. A luz que muda ao longo do dia, a textura de uma madeira, a proporção de um ambiente, o silêncio de um quarto e a maneira como os espaços se conectam não apenas compõem uma estética, mas constroem uma forma de viver. É a partir dessa perspectiva que Mila Caramelo, arquiteta e fundadora da MC8 Interiores, vem desenvolvendo uma abordagem em que o design deixa de ser apenas aquilo que se vê para se tornar também aquilo que se sente. “O interior precisa provocar uma sensação antes mesmo de ser racionalmente compreendido. A escolha de um tecido, de uma madeira, de uma iluminação ou de uma obra de arte pode mudar completamente a maneira como uma pessoa percebe aquele espaço. É isso que faz o design deixar de ser apenas visual e passar a ser uma experiência.”

Durante anos, ambientes neutros, linhas minimalistas e espaços pensados para a imagem definiram uma estética dominante. Agora, a casa contemporânea quer ser vivenciada. Texturas, iluminação, materiais naturais, obras de arte, acústica, vegetação e objetos afetivos passam a participar da construção dos ambientes, estabelecendo uma relação mais pessoal com quem vive ali.

Essa visão aparece em projetos como o Apartamento Residencial M|J, no Mansão Unique, premiado com Bronze na categoria Residencial Interiores do 15º Prêmio Internacional Tile Brasil. Mila trabalhou uma base contemporânea e atemporal nas áreas sociais, enquanto as suítes receberam soluções relacionadas à personalidade dos moradores. “Uma casa não precisa ter uma única linguagem para ser coerente. Pelo contrário. Quando conseguimos entender quem são os moradores, o projeto ganha camadas. A base pode ser atemporal, mas são as escolhas particulares que fazem aquele espaço realmente pertencer a alguém”, afirma.

O conforto que se percebe, mas nem sempre se registra

Iluminação indireta, materiais agradáveis ao toque, proporções, circulação e acústica interferem diretamente na maneira como um espaço é vivido. Para Antonio Caramelo, fundador da Caramelo Arquitetos Associados, essa experiência começa antes mesmo da escolha dos móveis. “A arquitetura estabelece as condições para que o interior aconteça. A luz natural, a orientação do edifício, a relação com o jardim, os percursos e a proporção dos espaços determinam muito daquilo que vamos sentir dentro de uma casa. Arquitetura e interiores precisam conversar desde o início.”

Essa integração está presente na Grife Caramelo, que reúne a arquitetura de Antonio e os interiores desenvolvidos pela MC8. Um dos exemplos recentes é o Fibonacci, condomínio da LMarquezzo em Feira de Santana, apresentado em 2026 como o primeiro empreendimento da cidade a reunir arquitetura e interiores sob uma mesma assinatura.

Na CASACOR Bahia 2026, a MC8 também levou essa abordagem para a Academia Matrix, assinada por Mila e Frank Caramelo. Arcos, iluminação indireta, texturas orgânicas, materiais naturais e verde aproximaram performance, tecnologia, natureza e bem-estar. “Hoje, quando falamos de bem-estar, não estamos falando apenas de conforto físico. Existe também o conforto emocional. Um ambiente pode estimular, desacelerar, acolher ou inspirar”, diz Mila.

Menos cenário, mais experiência

Para Mila, a beleza continua importante, mas deixa de ser o ponto final do projeto. “A casa não deve ser um cenário perfeito para uma fotografia. Ela precisa funcionar quando a fotografia termina. Precisa ser confortável pela manhã, acolhedora à noite, silenciosa quando necessário e cheia de vida quando recebe pessoas.” A Grife Caramelo parte justamente dessa complementaridade: a arquitetura cria as possibilidades do espaço; os interiores acrescentam camadas de identidade, conforto e experiência. Talvez o novo parâmetro de sofisticação seja menos aquilo que uma casa mostra e mais aquilo que ela consegue fazer alguém sentir.

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