Profissão: Arquitetura

A arte de projetar e construir espaços permitindo um diálogo com a cidade e os ambientes ao seu redor 

Foto: Sacada

Por Silvana Ferraz

Uma das profissões mais antigas do mundo, a arquitetura tem seus primeiros traços nos períodos pré-históricos. Foi durante a Pré-História que surgiram os primeiros monumentos construídos pelo homem, que aprendeu a dominar a técnica de trabalhar a pedra construindo seu abrigo – construção que reflete, hoje, na forma como as sociedades modernas se integram na civilização.

Na medida em que o homem evoluía, as habilidades em projetar e construir foram aperfeiçoadas. A arquitetura e o urbanismo praticados pelos gregos e romanos, por exemplo, destacavam-se dos demais e tornou-se o elemento principal da vida política e social destes povos. Os gregos se organizaram em cidades-estados e com o tempo o Império Romano surge de uma única cidade. As catedrais, principais construções da época medieval inserem-se na vida das comunidades ao seu redor. O conhecimento construtivo é guardado pelas corporações, as quais eram formadas por mestres-obreiros, conhecidos hoje como arquitetos.

O arquiteto é responsável pelo projeto, supervisão e execução de obras de arquitetura. O campo de atuação desta profissão envolve áreas relacionadas ao controle e desenho do espaço habitado, como o urbanismo, o paisagismo e diversas formas de design. “Arquitetura é muito ampla. O curso é de Arquitetura e Urbanismo porque o urbanismo é um desenvolvimento espontâneo da cidade. O arquiteto urbanista entra para fazer o planejamento desses espaços”, afirma Ilca Menezes, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unidade de Ensino Superior de Feira de Santana (UNEF).

A estudante de Arquitetura e Urbanismo da UNEF, Virna Sampaio, apesar de ainda estar no segundo semestre do curso, já demonstra conhecimento técnico e paixão pela profissão. “Estou amando o curso, me apaixonando cada vez mais pela profissão. Escolhi fazer arquitetura pela dinâmica de organizar uma sociedade. Criar um sentimento pelo espaço, se sentir parte. Isso é muito bom”, revela.

Para o estudante Heber Moraes, a arquitetura nasceu de um desejo de transformar os espaços num lugar belo e melhor a cada dia. “Quando era pequeno, eu morei em fazenda e era uma coisa bem paradisíaca: rio com água cristalina, samambaias caindo por cima do rio… Anos depois, quando eu voltei, o local estava degradado. Então, essa imagem paradisíaca ficou em minha memória. Eu passei a observar Feira de Santana perdendo sua beleza, os espaços da cidade foram se degradando com o passar do tempo e isso foi me incomodando. Optei pela arquitetura porque acredito que o arquiteto tem responsabilidade em repensar a cidade, em proporcionar um pouco mais de qualidade de vida. E foi esse sentimento que me motivou”, confidencia.

De acordo com Ilca Menezes, para fazer Arquitetura há alguns anos era necessário passar por um teste para ver se o aluno estava apto. “Na época em que fiz o curso na Universidade Federal da Bahia (UFBA), precisei passar por um teste de aptidão de desenho livre. Com o passar dos anos, retiraram essa obrigação de passar por esse teste. E eu acredito que uma pessoa que é dedicada à disciplina de desenho tem condições de elaborar à mão os seus esboços arquitetônicos e é capaz de se esforçar e desenvolver a habilidade de desenhar o croqui. Muitas pessoas já nascem com esse talento, outras terão que desenvolvê-lo, pois é interessante que a pessoa tenha noção desse desenho à mão, pois faz parte da vida prática estar com o papel à mesa e dar uma riscadinha na intenção de visualizar o projeto”, explica.

Virna acredita que com esforço qualquer um pode conseguir bons resultados. “Cada um tem que se esforçar como em qualquer outro curso, dando o seu melhor para conseguir seus resultados. Em relação ao dom, eu acho que não é necessariamente ter o dom, mas tem que ter noção de espaço, de linha, de traço para poder desenvolver o seu trabalho e vender o projeto para o cliente. Não pode só confiar no recurso digital. É preciso ter esse traçado na mão. O curso lhe ensina as ferramentas que você deve usar. Mas cada um tem que nascer com a sementinha da criatividade”, defende.

A coordenadora Ilca salienta que um arquiteto precisa ser ético, ter uma sensibilidade estética e consciência social. “Em qualquer profissão o profissional não deve se desassociar da ética. A estética é um juízo de gozo na arquitetura, é preciso ter essa sensibilidade para o belo, bom gosto, conforto e bem estar. O arquiteto deve ter consciência social. De que vale pensar uma edificação apenas para o cliente, se ela vai fazer parte de todo o contexto dentro de uma sociedade? É importante que o profissional tenha sensibilidade para os problemas de bairro, ter a consciência de que deve haver planejamento para o esgotamento sanitário, pensar em sustentabilidade, valorizar os recursos da própria região para que haja o reaproveitamento de recursos naturais, entre outros. É preciso fazer uma utilização racional desses instrumentos”, salienta.

“O mercado de trabalho em Feira de Santana e região é muito promissor, mas é preciso se unir em associação para que a categoria tenha mais força para incutir a importância da arquitetura na sociedade. A vinda do curso de arquitetura para a cidade ajuda a disseminar a importância da profissão e o compromisso social que estes profissionais têm para com o ambiente em que habita”, completa Ilca.

Para Heber Moraes, a cidade precisa abraçar o curso, assim como o curso precisa se fazer perceber pela cidade. “Como não vivenciamos a área, pensamos que o arquiteto é aquela pessoa que faz espaços bonitos. Mas é muito mais do que isso. Os projetos precisam dialogar com a cidade. Existem ainda demandas para a moradia popular. Acho que a faculdade deve ter essa sensibilidade de formar arquitetos conscientes. Temos que entender que não vamos ser arquitetos só para os ricos, vamos ser para quem quiser e para quem nos contratar, há um mercado imenso que vai muito além da estética. Temos um potencial imenso que precisa ser explorado, que não é só Feira de Santana. Precisamos aprender a pensar cooperativamente e fazer as pessoas entenderem a importância de se contratar um profissional de arquitetura. Fazer perceber que, ao contratar um arquiteto, ele vai estar reduzindo custos, vai morar com mais qualidade, não vai ter problemas com reconstrução, por exemplo”, analisa.

Heber observa que o curso de arquitetura em Feira de Santana é de suma importância, uma vez que é voltado para as necessidades da região. “Eu cursei arquitetura na UFBA até o sexto semestre e percebi que o curso ministrado aqui e o ministrado em Salvador são completamente diferentes. O curso da UFBA é muito mais técnico, enquanto o da UNEF é mais voltado para as humanidades. Eu sentia carência dessas disciplinas teóricas que nos levam a pensar e refletir. Não estou falando em qualidade de um e de outro, mas para o que cada curso está voltado. O mais importante disso tudo é que temos um curso em Feira de Santana, voltado para atender às necessidades da cidade. Enquanto em Salvador o Corredor da Vitória é o referencial, aqui em Feira de Santana são as avenidas Getúlio Vargas, João Durval, entre outras. E isso permite que os novos profissionais se tornem elementos-chave para se pensar a mobilidade urbana de Feira e região”, conclui.

Matéria publicada na versão impressa da revista Sacada.

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