
O período chuvoso em Salvador, especialmente entre os meses de abril e junho, acende um alerta sobre os impactos do descarte irregular de lixo nas ruas. O acúmulo de resíduos em vias públicas, encostas e sistemas de drenagem urbana contribui diretamente para a obstrução de bueiros e canais, ampliando o risco de alagamentos em diversos pontos da cidade.
Além de fatores estruturais, o comportamento cotidiano da população tem papel determinante no agravamento do problema. A ausência de práticas adequadas de descarte e reciclagem, somada à falta de cuidado com o espaço público, afeta a mobilidade urbana, prejudica a infraestrutura e pode trazer riscos à saúde, sobretudo em períodos de chuvas intensas.
O diretor-geral da Defesa Civil de Salvador (Codesal), Adriano Silveira, lembra que a colaboração popular é essencial para reduzir os impactos das chuvas. “É importante reforçar a conscientização da população. O descarte irregular de lixo, por exemplo, entope bueiros e agrava os problemas causados pela chuva. Essa parceria com a sociedade é fundamental. Nosso lema é claro: ‘Defesa Civil, somos todos nós’”, ressalta.
Segundo o diretor da Codesal, o trabalho é feito em conjunto com os órgãos do sistema municipal, mas a imprensa também tem papel importante ao levar informações e sensibilizar a população. “É essencial evitar jogar lixo em encostas e bueiros. E, ao perceber qualquer situação de risco, como rachaduras nas casas ou movimentação de terra, a orientação é entrar em contato com a Defesa Civil pelo 199, para que as equipes possam agir rapidamente e evitar tragédias”, acrescenta Adriano.
O presidente da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), Carlos Gomes, reitera que o descarte inadequado impacta diretamente o funcionamento da cidade: “Nosso pedido sempre é que a população colabore com o trabalho dos nossos agentes, principalmente no período chuvoso. O descarte irregular não prejudica só a nossa operação; impacta toda a cidade, contribuindo diretamente para alagamentos e outros transtornos”.
De acordo com o presidente da Limpurb, ações simples podem fazer diferença no enfrentamento do problema. “A Limpurb atua diariamente, com diversos serviços para minimizar os efeitos das chuvas, mas uma atitude simples, como colocar o lixo nos dias e horários corretos, faz toda a diferença”, conclui.
Força-tarefa – Durante o período chuvoso, a atuação da Limpurb também ganha relevância na gestão de resíduos sólidos e prevenção de alagamentos. Além da coleta regular, o órgão disponibiliza ecopontos para o descarte gratuito de materiais como entulho, móveis velhos, resíduos recicláveis e restos de poda, oferecendo à população uma alternativa adequada para evitar o acúmulo de lixo em vias públicas, encostas e canais de drenagem.
Os ecopontos funcionam como locais de entrega voluntária e permitem o descarte de pequenos volumes de resíduos domiciliares, respeitado o limite de até 2 m³ por dia por gerador, o equivalente a cerca de 18 sacos de 100 litros ou 40 carrinhos de mão de terra.
Para esses espaços podem ser levados resíduos da construção civil, materiais recicláveis como papel, plástico e metal, itens volumosos como sofás e eletrodomésticos, além de resíduos vegetais.
Para realizar o descarte corretamente, a orientação é separar os resíduos por tipo, acondicioná-los de forma adequada e, no caso de recicláveis, higienizar itens como garrafas PET e latas. Em seguida, o material deve ser levado ao ecoponto mais próximo, onde há indicação específica para cada tipo de resíduo.
Atualmente, a Limpurb mantém sete unidades distribuídas pela cidade, entre elas o Ecoponto Itaigara, na Rua Wanderley de Pinho; o Ecoponto Itapuã, na Rua Alto do Abaeté; e o Ecoponto Bonocô, na Avenida Mário Leal Ferreira. Existem ainda unidades no Alto da Terezinha, na Rua Cardeal Jean; na Ilha de Bom Jesus dos Passos; em Itacaranha, na Rua Teskey; além do galpão de Massaranduba, na Rua Lopes Trovão.
Os horários de funcionamento variam de acordo com a unidade, mas em geral os ecopontos operam de segunda a sábado, entre 7h e 19h, com horários reduzidos aos domingos em algumas localidades.
Além de oferecer esses espaços, a Limpurb realiza ações preventivas como capinação e roçagem, que contribuem para reduzir o risco de alagamentos e deslizamentos de terra.
Operação Chuva – O diretor da Defesa Civil lembra que o trabalho de prevenção da Prefeitura ocorre ao longo de todo o ano, com foco no período mais crítico. “A Codesal se prepara durante todo o ano na Operação Chuva, justamente para dar a resposta que o soteropolitano espera nos meses de abril, maio e junho, junto com o Sistema Municipal de Proteção e Defesa Civil”, aponta.
A Defesa Civil possui ainda ferramentas de alerta que podem ajudar a população em situações de emergência. “Também é importante que as pessoas cadastrem seus CEPs no número 40199, via SMS, para receber alertas da Defesa Civil e informações sobre mudanças no nível operacional, que indicam maior necessidade de atenção diante dos efeitos provocados pelas chuvas”, completa Adriano.
Reportagem: Mateus Soares / Secom PMS
