A reativação de uma metalúrgica de cobre

O Plano Nacional do Desenvolvimento (PND), desenvolvido pelo Governo Federal nos anos 1970, definiu uma política de substituição de importações que orientava o governo na identificação das prioridades nacionais, gerando uma série de programas setoriais, entre os quais o Plano Siderúrgico Nacional, o Plano de Metais Não Ferrosos, o Plano de Celulose e Papel e o Petroquímico. Foram construídos uma metalúrgica de cobre, uma de zinco, uma de alumínio, constituídos seis grandes grupos empresariais dedicados à fabricação de celulose e papel, duas grandes aciarias e dois polos petroquímicos. Nesse período, a industrialização ganhou força com o aproveitamento da demanda existente no mercado interno para produtos industriais importados, que passaram a ser substituídos por produtos fabricados no País.

O projeto da usina de cobre foi instalado a partir da aquisição de uma metalúrgica no Rio Grande do Sul e de uma mina existente na Bahia. Foi adquirida de Baby Pignatari pela Fibase, subsidiária integral do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Fibase foi depois transformada em BNDESPar. O projeto foi orçado na época em US$ 1,5 bilhão, todo executado com recursos próprios do BNDES. Houve um esforço muito grande do BNDES e do Governo da Bahia na realização do projeto, considerando sua importância para a industrialização do Estado.

A paralisação da usina de cobre construída em Dias d’Ávila, foi determinada principalmente por uma combinação de problema técnico e crise financeira: a) Falha no precipitador de partículas, equipamento essencial ao processo industrial cujo reparo exigia um investimento elevado e interrompeu a operação da unidade; b) Forte restrição de caixa do grupo controlador, que estava em recuperação judicial, dificultando a compra de insumos, a manutenção e o pagamento de despesas; c) Atrasos em salários e benefícios, que provocaram mobilização dos trabalhadores e agravaram a paralisação.

A reativação da usina é de interesse de todos, principalmente do Estado da Bahia, do Município de Dias d’Ávila e dos trabalhadores e exigiria um plano integrado, não apenas o conserto do equipamento que interrompeu a produção. As medidas principais que deveriam ser tomadas para recuperação do projeto seriam:

  1. Diagnóstico técnico independente – Avaliar o precipitador e os demais equipamentos críticos; Definir custo, prazo e segurança do reparo ou substituição; Verificar riscos ambientais, elétricos, estruturais e de processo antes da partida.
  2. Capital imediato para retomada – Obter financiamento emergencial, investimento de um sócio estratégico ou aporte de credores; Garantir recursos para manutenção, energia, insumos, salários e fornecedores; Estruturar o financiamento dentro do processo de recuperação judicial, se aplicável.
  3. Acordo com credores e fornecedores – Renegociar dívidas e obter prazos compatíveis com a retomada; Restabelecer o fornecimento de concentrado de cobre, energia, produtos químicos e serviços industriais; Buscar contratos de fornecimento de longo prazo.
  4. Plano comercial viável – Assegurar compradores para o cobre produzido, mediante contratos de venda antecipada; Atualizar o estudo de custos, considerando preço internacional do cobre, câmbio, energia e logística; Avaliar a produção em capacidade parcial inicialmente.
  5. Preservação da mão-de-obra especializada – Negociar com trabalhadores e sindicatos a manutenção dos profissionais essenciais; Regularizar salários e benefícios pendentes.

Poderia ser criado um Grupo de Trabalho, liderado pelo Governo do Estado da Bahia, para estudar a reativação do projeto, pela importância que tem para todos, principalmente para o Município de Dias d’Ávila. Nossos recursos são escassos e um equipamento daquela dimensão não pode ser abandonado, como foi, sem se tentar de alguma forma fazer a sua recuperação. Essa usina em operação, além dos empregos e tributos que gera economiza divisas reduzindo a importação de cobre metálico e metais preciosos e põe em funcionamento uma fábrica de ácido sulfúrico smelter com capacidade anual superior a 400 mil toneladas.

A economia de divisas, os empregos recuperados, os tributos gerados e a capacidade intrínseca de atrair outros projetos, representam valor muito superior aos dispêndios necessário para recuperação desse imenso parque industrial.

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